Com o que não acostumamos?

8 de Junho, 2015


Fiz o café pra você. Arrumei a mesa com tudo o que você gosta. Depois arrumei a cama. Lavei a roupa, esperei secar e a passei. Depois me arrumei e fui trabalhar. Peguei o metrô. Cheguei na empresa e repeti a mesma rotina de sempre. Ouvi a todos os descontentes descontarem sua insatisfação em mim. Almocei no seu restaurante favorito, aquele com a atendente oriental que sempre nos olha desconfiada quando vamos pagar com cartão. Voltei pro trabalho e mais reclamação. Sai e peguei o metrô, agora lotado. Todo aquele suor, aquela proximidade, incomodaram-me. Depois de algum tempo, desci e me livrei daqueles bípedes.

Passei em frente àquela loja de doces que você tanto gosta. Comprei a torta de frango que você tanto ama. O cheiro me trouxe lembranças da primeira vez que fomos ali, lembranças do nosso primeiro beijo. Sorri, aquele sorriso que você sempre disse que era tão seu e tanto te fazia bem. Corri, então, para casa, afinal, começou a chover. A chuva, como você sabe, abriu-me o sorriso. O vento frio tocava-me os cabelos e a pele, arranhando-a. Ah, como era bom! Aquela boa e velha sensação de liberdade, de satisfação, de que a vida vale a pena, de que o amor é eterno e a paz interior jamais foi algo irreal.

Corri mais. Precisava chegar logo, precisava te encontrar, te abraçar, te sentir. Poucos minutos dali, cheguei. Abri a porta, entrei e tranquei-a. Joguei as chaves ao lado da TV e deixei a torta sobre a mesa da sala, a mesma em que você sempre depositava sua bolsa quando chegava da faculdade. Tomei um banho rápido, vesti-me com o pijama preto que você me comprou no nosso segundo aniversário de namoro. Sentei-me no sofá, liguei a TV e assisti à nossa fita de noivado enquanto comia a torta. Terminei-a, desliguei o vídeo e fui me deitar.

O café continuava quente, e a mesa, intacta.

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