Mídias sociais: uma via de mão dupla

Era Copa das Confederações. O mundo de olho no Brasil. O País em uma crise social. O povo brasileiro tinha uma faca de dois gumes: a nação sendo vista pelo planeta e uma plataforma democrática, as mídias digitais. Era hora de ‘vomitar’ todo inchaço de uma tímida miséria social. Era o gigante acordando das cinzas, como uma fênix, para renascer nas cores verde e amarelo. A voz calada do cidadão brasileiro deu lugar a um tom uníssono, vibrante, homogêneo.

Em uma só voz, manifestnates convocavam a sociedade para gritar o‘Vem Pra Rua’ para lutar por um País mais digno

Não foi apenas apenas por um aumento de R$ 0,20, mas por uma clemência social. As manifestações de 2013 engrossaram o coro nas ruas para um País mais justo, digno de um cidadão que paga altos tributos para usufruir de um serviço público de qualidade. Mesmo erroneamente, as mídias tradicionais tentaram fazer seu papel: informar! A sociedade civil, por sua vez, mostrou sua força, evidenciou a existência de um universo da mídia maior do que os grandes meios de comunicação.

Um dos integrantes do Mídia Ninja, que contribuiu para transmitir informações via mídias sociais

Paralelamente aos meios convencionais, as redes virtuais ganharam uma aliada: a transmissão em tempo real. Munidos de celular na mão e uma conexão 3G, a Mídia Ninja mostrou os protestos sob outra perspectiva: era ao vivo, sem cortes, o material era bruto, das ruas para a rede. A ideia era mostrar os locais onde a imprensa tradicional não chegava, narrando toda luta com um olhar diferenciado. A audiência do grupo chegou a mais de 15 mil acessos diários. Em 2016, o número de grupos chegou a 150 cidades do País. A estrutura da Mídia Ninja é descentralizada e faz uso das redes sociais, como Facebook, Twitter Flickr, Tumbl e Instagram na divulgação de notícias.

Os ninjas saíram às ruas para apresentar os fatos sob uma nova perspectiva. Enquanto que as emissoras transmitem do alto dos seus helicópteros, o grupo mostrou a face da manifestação em tempo real, do chão. Como fonte alternativa, eles sacudiram a imprensa do comodismo e rotinas cotidianas. A ‘nova’ forma de informar é visto como ‘jornalismo-cidadão’, herdeiro da imprensa arcaica e histórica.

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