Que entrevista eu quero para as eleições 2018?
Como de costume as organizações Globo na pessoa do Jornal Nacional, em época de eleições abre espaço aos candidatos que concorrem à presidência da república federativa do Brasil, para falarem das suas propostas. Mas até onde essa série de entrevistas pode interferir na sua decisão de voto no dia da eleição, ela te ajuda? Bom…Começa pela forma como é colocada a intenção dos apresentadores em trazer os candidatos mais pontuados nas pesquisas.
“ Nós vamos abordar os temas que marcam cada uma das candidaturas, questionar assuntos polêmicos e tratar da viabilidade de alguns pontos dos programas de governo” — Renata Vasconcelos.
A entrevista já tem como premissa deixar claro que o que os 27 minutos futuros se trata de um uma espécie de interrogatório em que eles já escolheram as regras, e que os assuntos que realmente importam para o telespectador NÃO será abordado.
1- Ciro Gomes candidato pelo PDT.
Quando se inicia o tempo determinado para cada candidato, começo a ficar contente, pois o primeiro tema abordado é corrupção, mas percebo que intenção não era perguntar ao candidato qual plano de governo ele teria para acabar com a corrupção, mas sim saber porquê Ciro Gomes disse ser a favor da operação lava jato, se o próprio fez declarações de que a mesma é “desequilibrada” e que receberia a bala a “turma” do juiz Sérgio Moro, o candidato faz suas justificativas sobre suas declarações, ressalta que ele é ficha limpa como se ele fosse o único , o que todos sabemos que não é. Renata Vasconcelos volta a falar de declarações e não de plano de governo, pergunta sobre o que seria a tal caixinha que o candidato declarou que se eleito irá pô a justiça e ministério público. A apresentadora ainda afirma que os brasileiros apoiam a justiça, apoiam o ministério público. Jamais tenho intenção de desrespeitar a justiça ou algo do tipo. Contudo sou brasileiro Renata, nasci na capital do Piauí, mas eu discordo veemente de um Supremo Tribunal Federal em que a presidente faz reuniões e toma cafezinho com um governo golpista, e que é uma desgraça para o país. Ela pode fazer reuniões e tomar cafezinho com quem ela quiser, mas deveria saber que na atual crise política em um país dividido por esquerdistas, direitistas, centristas, coxinhas e afins, esse encontro viria a plantar dúvida na cabeça dos que menos tem o poder de dissertação. Eu sou brasileiro mas discordo de um STF cujo faz parte dele um ministro que tem a cara do João Plenário personagem do programa do SBT (A Praça é Nossa ) que tem como passatempo favorito conceder habeas corpos aos principais corruptos e bandidos da vida brasileira. Que manda arquivar processos de investigados com todas as evidências de culpa. Logo em seguida William Bonner continua no mesmo tema, contudo também não pergunta sobre plano de governo nenhum para o tema em pauta, tudo que ele deseja é tocar no assunto das declarações que o candidato fez em favor de Carlos Lupi, que se ele eleito ele ocupará o cargo que desejar em seu governo. William Bonner gasta quase dois minutos do tempo só atualizando o público sobre os inquéritos que Carlos Lupi responde no STF. Renata volta perguntar e não sai do tema, já se chega à quase dez minutos, e eu como telespectador e eleitor indeciso, não conseguir ouvir que propostas o candidato teria para combater a corrupção. Renata chega usar uma contradição da impressa para falar de alianças políticas, o que na verdade não teria fundamento, todo mundo sabe que o apoio do PT ao Ciro Gomes não seria possível, todos sabemos que o partido de Lula levaria a candidatura dele até o final, talvez nunca houve esperança de uma união de esquerdas, pelo menos, por parte do PT, a prova está ai, o TSE barrou a candidatura de Lula e o partido diz ainda que vai recorrer. Exatamente nos 10:56 o candidato ainda declara que deseja falar de suas propostas.
Bonner volta a usar a palavra, e pegunta sobre o endividamento, no entanto usa desse tema pra dizer que o candidato usou a frase “ Fique tranquilo, vou tirar o seu nome do SPC” de forma muito simples diante da gravidade do problema, até aqui… Eu concordo o candidato foi mesmo infeliz no comentário no debate exibido pela Band. Quem realmente não sabe em quem votar e não tem acesso a meios de conhecer afundo a proposta do candidato para o tema, em ouvir o mesmo dizer isso, certamente ficará tentado em depositar seu voto sem conhecer realmente como aquele assunto seria supostamente resolvido.
Renata volta a usar a palavra e pergunta sobre segurança pública, contudo ela menciona o irmão do candidato, fala sobre a colocação do estado do Ceará no ranking dos mais violentos. E aqui depois de quase dezenove minutos o candidato consegue fala um pouco sobre sua proposta para segurança pública, não por muito tempo.
Bonner fala novamente e dessa vez pergunta sobre aliança política, nem preciso dizer o porquê ele escolheu esse tema. Kátia Abreu, as ideias que ela defende, e fica claro, pelo menos para mim, que o apresentador insinua que a chapa do candidato pode não ser coerente, que as ideias dela não condiz com as do candidato. Aqui ele toma a palavra e fala um pouco do seu plano nacional de desenvolvimento. Nos 24:28 Renata pergunta sobre governabilidade, alega que o candidato tem dificuldades de fazer alianças politicas sendo que, Marina Silva e Jair Bolsonaro líder das pesquisas (sem Lula na disputa) estão também com o mesmo problema. E o tempo termina e os assuntos dos quais eu igualmente a tantos outros que gostaria de ouvir não foram abordados, educação, saúde, saneamento básico, habitação, emprego etc.
2 — Jair Bolsonaro candidato pelo PSL
A primeira pergunta de Bonner ao candidato é sobre, porquê ele se diz o novo no sistema político, se a realidade dele e da família diz outra coisa? Ele explica com o seu jeito Bolsonaro de ser, além disso diz que sua família é limpa, e que sempre fez parte do baixo clero em Brasília. O candidato diz que sempre seguiu a linha no congresso, só esqueceu de mencionar aos apresentadores e ao telespectador que linha é essa. Diz que foi citado como o um dos três deputados do PP que não buscou dinheiro na Petrobras, entretanto sabemos o partido depositou valores na conta dele, mas que houve uma devolução por parte de Bolsonaro. O candidato copia o seu adversário pelo PDT que primeiro começou dizer em campanha que ser honesto não é virtude é obrigação Emfim… Bonner continua a pergunta sobre porquê ele se diz diferente entre muitos outros ele não dá uma explicação muito objetiva. Renata fala do auxílio-moradia, que na minha opinião não tem nada a vê com plano de governo, pelo menos não naquele tema, deveria perguntar ao candidato sobre habitação para a população e não para os parlamentares, isso caberia num tema de reforma política que é onde se discute os privilégios ( que não são poucos ) dos deputados. Ela fala que ele defende a moralidade no uso do dinheiro público, mas não se aprofunda nesse tema, que também é importante.
Bonner fala da economia, mais na verdade não pergunta quais seus planos para o tema, o que fez muito bem, o candidato mesmo já declarou que não entende de economia, e que não precisa, ele tem o Paulo Guedes, Bonner queria mesmo saber era das declarações em que Bolsonaro afirmou que Paulo Guedes ficará “casado” com ele até o fim do seu governo. Bolsonaro “explica” a pergunta de Bonner falando de casamento, namoro, paixão, acredito que se pudesse Bonner teria chamado os comerciais quando o candidato fala sobe separação. Inclusive Bolsonaro sem querer ou não, diz olho no olho que seu casamento com Paulo Guedes não será como o do apresentador e Fátima Bernardes. Renata pergunta sobre igualdade de gênero por que sua intenção é citar as supostas afirmações do candidato sobre não empregar mulheres com o mesmo salário de homens. E ai todos vimos como terminou, o candidato fez o melhor comentário de todo o tempo de entrevista sobre igualdade salarial entre Bonner e a apresentadora, ela por sua vez dá uma resposta hipócrita que a fez o assunto mais comentado das redes, pessoas que antes nem sequer acompanhava seu trabalho na TV Globo talvez nem conhecia, depois disso se tronou sua maior inspiração. Bonner pergunta sobre emprego, e o candidato “explica” mais não fica muito claro. O apresentador lembra que o candidato votou contra a PEC dos domésticos.
Renata aos 17:25 usa o histórico de declarações do candidato em relação a causa gay para falar de homofobia. E ele com todo aquele jeito Bolsonaro de ser não diz como vai lhe dar com as causas LGBT no seu governo, pelo contrário, perde a linha e tenta mostrar livro de provável kit gay, descumprindo uma regra, segundo Bonner, que foi combinada com os assessores de todos os candidatos, nesse momento seria uma boa hora pra perguntar ao candidato sobre quais os planos para a educação já que o tema pulou de causas homofóbicas para educação. Aos quase vinte e dois minutos os apresentadores parecem ter ficado perdidos, Renata nem sabe qual é o próximo tema. Bonner lembra que é segurança pública. E quando ele responde a pergunta, fica claro, pelo menos para mim, o que ele pretende fazer com o assunto de confrontos de policiais e bandidos nas comunidades dominadas por traficantes, é “ Atira primeiro, pergunta depois” o tempo acaba e a última pergunta é sobre composição política, e sobre o vice de sua chapa que fez declarações sobe impor a sociedade uma solução. O tempo acaba e o candidato não apresenta proposta para educação, saúde, emprego etc.
3 — Geraldo Alckmin candidato pelo PSDB
A primeira pergunta ao candidato é sobre alianças politicas, tendo em vista que a coligação de Alckmin é a que mais tem partidos do centrão, e também mais envolvidos na lava jato. E o candidato com intenção ou não acaba meio que dando um conselho aos seus adversários, que se eu fosse candidato e tivesse concorrendo eu tomaria como ameça, quando ele diz:
“ Precisamos de maioria para fazer as reformas, quem prometer mudança sem construir maioria, é conversa fiada” Em outras palavras poderia se entender que ele quis dizer o seguinte: se eu não for eleito, os partidos que me apoiam, será uma pedra no sapato do presidente eleito. Entretanto nesse momento ele consegue falar de uma de suas propostas, e que por sinal é um assunto de emergência, reforma política, mas é interrompido pela apresentadora, que quer saber sobre os investigados. O candidato diz que nos partidos têm bons quadros, diz ainda que quem é investigado responderá por isso. Se fosse eu diria: eu não estou concorrendo ao cargo máximo de uma corte de justiça monárquica absolutista, pra julgar e sentenciar corruptos, eu estou correndo a presidência da república. O tema Collor é mencionado, o dito popular de: Diga com quem andas que eu te direi quem tu és. E dai em diante a entrevista só piora, o candidato não consegue falar de educação, saúde etc. Bonner fala de Eduardo Azeredo, fala de Aécio Neves, insiste em Eduardo Azeredo. O candidato fala de ética, diz que não recebe aposentadoria de ex deputado, como se ele fosse o único. E quando Renata pergunta sobre os três delatores da lava jato que segundo eles Geraldo Alckmin recebeu pagamento de caixa-2 pra sua campanha em 2010 e 2014, ele nega, e ainda diz que é o político mais ético dessa eleição, em outras palavras chega afirmar que ele é o trigo e os demais o joio. Bonner diz que vai continuar no terreno da corrupção, dai em diante a entrevista termina falando de Laurence Casagrande , rodoanel, e eu fiquei com vontade de ouvir o candidato falar mais sobre a reforma politica, a educação, saúde, etc.
4 — Marina Silva candidata pela Rede
Aqui foi o estopim da minha indignação, os 27 minutos de entrevista a candidata não conseguiu falar de absolutamente nenhuma proposta, o tempo todo foi sobre a dificuldade que a candidata teve em criar um partido, os apresentadores foram tão excedentes e intransigentes com a candidata que deixaram-na nervosa, era visível isso, não se falou de educação, saúde, segurança, tudo foi sobre liderança, até mesmo duvidando da capacidade dela. Marina pode não ser a mais preparada politicamente falando, mais ainda sim 22 milhões de eleitores acreditaram nela em 2014. O tema emprego e a reforma da previdência só foi abordado porquê queriam poder dizer que o plano de governo da candidata é muito vago. O que não deixa de ser verdade. Falou ainda sobre a dificuldade que Marina terá com assuntos da agropecuária, tendo uma bancada ruralista cada vez maior no congresso nacional, tema que coincidia questionar a candidata levando em conta as ideias ambientalistas da mesma, também foi abordado o tema corrupção porquê Bonner queria falar do apoio que ela declarou à Aécio Neves quando então concorria a presidência no segundo turno das eleições de 2014.
É inadmissível que o maior veículo de comunicação do país arme um crico igual aquele, que não ajuda, mais sim confunde ainda mais a cabeça do eleitorado brasileiro. Eu não estou questionando que os assuntos polêmicos que fere a conduta ética dos candidatos deixassem de ser abordados, ou questionada, isso é bom, serve como uma peneira para que os eleitores saibam quem é quem. Me incomodo pela forma como isso foi abordado. Parece que era a única coisa que realmente importava para a entrevista, iniciando uma troca de disse me disse, verdades e mentiras. Eu estou em dúvida sobre o meu voto nessa eleição. Pensei que depois dessa entrevista eu ficaria pelo menos namorando um dos quatro candidatos, mais isso não aconteceu, mesmo sem entender absolutamente nada, de como chefiar um jornal televiso. Acredito que daria para estabelecer regras, daria sim para encaixar os temas polêmicos nos seus respectivos planos de governo. Por exemplo perguntar sobre segurança pública para um determinado candidato e quando o mesmo terminasse de falar de forma resumida e mais clara possível, claro com tempo estabelecido, então caberia os apresentadores falar da polêmica, e assim sucessivamente.
A entrevista que eu quero para as eleições é que eu posso ouvir cada um dos candidatos, ouvir suas propostas pra mudar o quadro que o país se encontra, e que não é bons quadros como é o caso dos partidos que apoiam o candidato do PSDB segundo ele, onde eu possa ouvir as propostas e comparar com outras e assim escolher aquele que mais eu achar transparente. A entrevista que eu quero é que se fale realmente de planos para a educação, saúde, segurança. A entrevista que eu quero é que eu possa ouvir dos candidatos, propostas para mudar o sistema tributário RIDÍCULO que temos no Brasil, onde os que menos tem é os que mais pagam impostos. A entrevista que eu quero é onde eu possa ouvir propostas para se fazer uma reforma política objetiva, uma reforma política onde se acabe com a palhaçada de manter no país dezenas de partidos políticos que se acumulam no congresso nacional, chefiando organizações criminosas para desvio e lavagem de dinheiro público, uma reforma politica que faça cortes nas dezenas de mordomias que os parlamentares possuem e que alguns, inclusive que estão concorrendo a presidência já chegou a dizer que não dar pra nada e que o que sobra, usa pra comer gente. Reforma política que, se não acabar, pelo menos diminuir os recursos públicos que são usados para a campanha política, e que, com certeza, fará falta na educação, na saúde, no saneamento básico etc. A entrevista que eu quero é onde eu veja os candidatos apresentar propostas para alíquota de juros. A entrevista que eu quero é onde eu possa conhecer o candidato, onde eu possa conhecer suas propostas, pois é uma eleição presidencial, não igual a uma municipal onde o vereador mora na minha rua, o perfeito é filho dos antigos patrões dos meus pais etc. Nem todo mundo tem acesso à internet e outros meios onde se pode conhecer as propostas do seu candidato, esse deveria ser o papel da impressa, que em vez de ajudar o eleitor confunde ainda mais propagando esse duelo odiento entre esquerdistas, direitistas centristas e por ai vai.
