Sobre perder o controle da vida

Frase dramática, quase trágica talvez.

Mas não é bem por aí. A crise é a do fim dos vinte e poucos anos e o começo dos “nta”: 30,40…

E ela não chega caótica, gritando e tacando coisas na parede, toda almodovariana, como Penélope Cruz.

Chega devagar, calminha, como quem pede informação na rua. E logo te engolfa em longos tragos de pensamentos, que captam o olhar pela janela, que deixa os olhos parados, como quem olha e não vê.

E é nos olhos que vc reconhece que ela chegou, bem de mansinho. E vc saca quando se vê no espelho. É, ela está ali.

Então as noites se tornam intermináveis. E os dias parecem se repetir? Ciclo que antes fosse vicioso a moroso…

É como se, subitamente, vc fosse um daqueles escapistas em mais um número mirabolante: amarrado, acorrentado, vendado, trancado numa caixa cheia d’água e com cadeado.

Mas não tem platéia. Nem escapatória. Vc não é mágico, nem conhece truque algum.

E quando a ansiedade aumenta e o coração acelera de desespero, vc descobre que a água não é o problema. Vc respira, afobado e com dificuldade, mas respira.

O problema não é a venda. Vc consegue enxergar através dela.

O problema não é a corrente, a corda ou o cadeado.

O problema é que vc não quer sair dali.

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