Sal Rosa do Himalaia

O que será do Himalaia? De uns anos para cá parece que todo o mundo está consumindo sal rosa do Himalaia. Se chegou aqui nessa classe média brega já chegou até na terra do fogo e no Saara. Chegou no inferno e o capeta consome muito. Sim, nunca duvidem da capacidade que eu teria, como publicitário, de vender sal (como snake, até) no Saara.
Um aparte, para esclarecimento: ah, Rafael, você sempre diz “classe média”, está falando de nós os mais ou menos, ou se colocando acima e curtindo com quem estaria abaixo de você se possível for?
Não, amiguinho, quando se diz média, fala-se melhor sobre um pensamento, não sobre poder aquisitivo. É um conceito mais sociológico que econômico. Pode observar que se você está de média para baixo (quase pobre) você conhece ricos e se relaciona com eles. O contrário também é verdadeiro, ricos possuem amizade com pobres. O que eu chamo de média, classe média, é o pensamento resultante dessa amizade boniiiita entre vocês todos, cês tudo. Um pensamento médio, que, vamos dizer, sai de um conversê entre vocês todos que não se cutucam, estrategicamente, e preferem abafar qualquer distância, entende? Um conversê falso pois para gerar uma média de acordos, de condescendências, de concordâncias, não pela substância mas pela necessidade de evitar conflitos. Uma massa, como resultado dessa necessidade primária de criar convergências e consentimentos, sem forma, amorfa, que será o resultado dessa interação, entendeu agora?
Voltando. Sim, quem consome o sal rosa é, na média, o branco que frequenta a praça São Salvador, a zona sul do Rio, Pinheiros em Sp, por aí, mas já viu quanta gente dá se isso for modinha mundial? 40 anos e o Himalaia estará menor que o cucuruto do Pão de Açúcar. O capitalismo dá certo pra caralho, mas não é para mais que 10% e não aguenta mais 70 anos. É melhor socialismo? Não sei. E devolvo a bola com outra pergunta: vai substituir sal rosa do Himalaia logo, já pensou no substituto que não carregue plástico?
