JavaScript Everywhere — Parte 1: História do JavaScript

Esta é uma série de dois artigos (o segundo está aqui) onde vou falar sobre JavaScript e o fenômeno “JavaScript Everywhere” atual. De onde veio, onde está, para onde vai, começando por recapitular um pouco da história do JavaScript, então, senta que lá vem história!

JavaScript Até Aqui

Aconteceu que JavaScript foi criado em 10 dias, em Maio de 1995, por Brendan Eich (na época Netscape). Sua função era de apenas manipular mídia, abrir janelas, validar formulários; ou seja, o básico do front-end. Contudo tal função comparada às únicas opções de interação na época, que eram controles estáticos e hyperlinks, era muito!

Inicialmente a linguagem se chamava Mocha, passando a se chamar LiveScript. Logo depois, o nome JavaScript foi finalmente decidido, quando a Netscape recebeu uma licença de marca registrada da Sun. Uma estratégia de marketing que chegou a confundir algumas pessoas, levando-as a pensar que JavaScript era baseado em Java. Foi nesse mesmo período que a Netscape adicionou suporte a Java (applets) em seu navegador.

Em 1997, JavaScript foi submetido à ECMA (European Computer Manufacturers Association) para criação de uma especificação, o padrão ECMAScript. JavaScript é a implementação mais popular desse padrão (Importante enfatizar que ECMAScript é uma especificação. Hoje JavaScript é uma implementação do ECMAScript). Em 1998, veio o ECMAScript 2, seguido do ECMAScript 3, em 1999. Já em 2000, iniciou-se o trabalho no ECMAScript 4. Também teve a Microsoft que quis trazer algumas ideias, implementado-as em sua linguagem JScript, porque quem não arrisca não petisca.

JavaScript voltou a ganhar notoriedade em 2005, quando Jesse James Garrett apresentou um conjunto de tecnologias chamado Ajax (Asynchronous JavaScript and XML), onde dados podem ser carregados em segundo plano sem necessidade de recarga de página. Isso resultou no ressurgimento do JavaScript, sustentado por novas comunidades, bibliotecas e frameworks open-source (ex.: jQuery, Mootools).

Doug Crockford (na época Yahoo!) se juntou à Microsoft em 2007, para fazer frente ao ECMAScript 4, em uma investida chamada ECMAScript 3.1. Porém, em Julho de 2009 houve um acordo para renomear aquele mesmo ECMAScript 3.1 para ECMAScript 5.

A grande revolução veio com Node.js, um interpretador open-source multi-plataforma, criado por Ryan Dahl. Em 8 de Novembro de 2009, Dahl apresentou seu projeto na European JSConf, uma combinação do motor JavaScript V8 do Google, libev (loop de eventos) e uma API I/O de baixo nível. Veio à realidade, então, a possibilidade (pelo menos a mais popular) de usar JavaScript tanto no lado do cliente quanto no servidor! Essa, porém, não foi a primeira vez que alguém teve a ideia de colocar JavaScript no lado do servidor.

Em 2011, um gerenciador de pacotes para Node.js entrou em cena, na necessidade de definir um padrão (e certamente havia caos) para desenvolvimento e distribuição de bibliotecas e módulos, chamado npm.

Node.js, no entanto, não foi visto com bons olhos pelos desenvolvedores mais tradicionais, afinal, é JavaScript; linguagem de browser, front-end, não é fortemente tipada (a tipagem é dinâmica), herança prototípica; mas bons ventos começaram a mudar a perspectiva dos mais conservadores.

Chega o tempo, então, que JavaScript se vê como o protagonista de um novo ciclo de padronização e inovação, se tornando uma das linguagens mais utilizadas na atualidade. No Github, é a linguagem com mais repositórios ativos no momento desta publicação.

Caso você ainda não tenha iniciado a aprendizagem na linguagem, ou ainda esteja decidindo se deve mergulhar ou não nessas águas, posso afirmar que o momento não poderia ser melhor para aprender JavaScript!

Até a segunda parte, fiquem com Deus. Um abraço!