Os 27 discos mais presentes em minha vida (até o momento).

O grande amigo Luis me lançou o desafio de listar 27 discos que marcaram minha vida e, como sinto falta dos powerpoints cheios de bebês gordos vestidos de flor, resolvi participar pois é o mais próximo disso que vou chegar nesses tempos modernos.

Esses discos são o meu backup plan / emotional starter kit para lidar com o trabalho, academia, textos, refeições com alto índice de gordura trans e afins. Significam muito para mim. Para uns eu tenho muitas palavras, para outros apenas um feeling forte, mas listei todos sem ordem definida, na medida em que me ocorrem.

Capítulo I — das trilhas sonoras

1.Marcin Przybyłowicz — The Witcher 3: Wild Hunt
Trilha sonora de uma aventura épica/fantasia, baseada em uma série de livros poloneses. O clima é épico, cheio de instrumentos locais e um clima bem tenso.

“Which bridge to cross? — Which bridge to burn?”

2. Idris Elba — Murdah Loves John (The John Luther Character Collection)
Esse disco desdobra várias nuances do trabalho que o ator fez pra compor a abordagem ao personagem. Adoro essa vibe agridoce de tragédia iminente.

3.Hans Zimmer — Interstellar: Original Motion Picture Soundtrack
Gosto muito de trabalhar com esse clima aspiracional de “se lançar às estrelas”.

“So now what should I do? — I’m strung ou, addicted to you..”

4. Akira Yamaoka — Silent Hill (qualquer um)
As trilhas que saem da cabeça desse japonês maluco tem uma vibe meio upbeat/meio coração dolorido e às vezes chegam até ao macabro. De qualquer maneira, acho a sonoridadade muito boa, transitando entre o pop e algo “meio fora”.


Capítulo II — dos discos instrumentais

5. God is an Astronaut — Helios/Erebus
Esse climão é o que eu costumo usar pra entrar no flow de trabalho, com uma temática complexa de piração.

6. soso & j Kutdown — All They Found was Water at The Bottom of the Sea
Encontrei esse disco procurando algo meio nostálgico, relacionado ao mar. Sou estranho, não me julgue.

7. Bohren & Der Club of Gore — Piano Nights
Bohren é o tipo de som que simula o cheiro de charuto e gosto de whisky sem gelo.

8. Two Steps From Hell — SkyWorld
O trabalho desses caras é sensacional. Cada disco tem uma vibe “cinematográfica”. O feeling desse disco é o sentimento de reencontrar a Millenium Falcon após 30 anos e levar ela pra uma voltinha sem rumo.

9. Explosions in the Sky — All of a Sudden, I miss everyone
Não tem muito o que dizer, só sentir.


Capítulo III — dos discos sensuais

10. The xx — xx
Esse som é um espetáculo e bem marcante na relação com a minha mulher ❤

“her eyes — She’s on the dark side”

11. Massive Attack — Mezzanine
Qualquer disco dos caras é um trabalho de CLIMA incrível. O som vai cozinhando os órgãos da pessoa aos poucos, engrossando um caldo de feromônios e suor.

“ooh this uncertainty, is taking me over”

12. Portishead — Portishead
Essa voz hipnótica vai causando uma entropia cerebral. O tempo passa e o disco voa.


Capítulo IV — dos discos de rock displicente

“We have no fear, and we have no pity”

13. Gallows — Grey Britain
Um dos petardos mais classudos que já ouvi, vai direto ao ponto com um bando de hooligans malucos. Guitarras barulhentas, pouca pompa e muito roque.

“Three witches you shall meet — Along the road to your fate”

14. The Sword — Warp Riders
Parece que abri uma timecapsule e encontrei um vinil empoeirado, junto com umas latas velhas de cerveja e uma ampola cheia de DSTs.

“Belial, Behemoth, Beelzebub, Asmodeus, Satanas, Lucifer”

15. Ghost — Infestissuman
Uma pegada de rock antigo, temático e com groovezão — além da tiração de onda com a igreja.


Capítulo V— dos discos matemáticos

“You’re the plague within my dreams”

16. Tesseract — Altered State
Curto muito a capacidade desses caras de transpor a complexidade do som através de um climão e letras muito intensas.

“Learning to love a disaster”

117. Periphery — Periphery II
São um bando de malucos que não se levam a sério, mas fazem um trabalho impecável, grudento e muito bem resolvido.


Capítulo 666— dos discos de podreira

“This time, this time — Things will workout just fine”

18. Mastodon — Once More ‘Round the Sun
Meio progs, meio irônicos, totalmente malucos. Gosto muito do trabalho de conceito em cada disco desses caras.

“The only thing I really know — I can’t sleep at night.”

19. Bring Me The Horizon — Suicide Season
Entropia do caos, durante um tempo eu persegui a sonoridade desses caras em bandas que eu participava.

“There goes the world — It’s spinning”

20. Exotic Animal Petting Zoo — Tree of Tongues
Descobri esses caras ano passado, através de um amigo. Tem uma pegada de groove com umas guitarras hora limpas/hora caóticas que vão me fritando mais que café.

“the shadows I cast follow me down”

21. Killswitch Engage — As Daylight Dies
O metal pode ser mumu também. Isso aqui é puro amor.

“I watched a change in you — It’s like you never had wings…”

22. Deftones— White Pony
Poucas bandas sambaram tanto na cara das restrições de gênero musical como o Deftones. Do peso frenético ao groove sexual (representado aqui) no mesmo disco, White Pony me interessou por fazer música.

“you have the chance to be a man — So cast the light that hides within”

23. Wovenwar — Wovenwar
Isso é o mais próximo que vocês vão me ver de estar na missa.

“the undead are among us at dawn they shrink back to their silken beds
they dance by night and drink the blood of a child’s broken neck”

24. The Black Dahlia Murder — Nocturnal
Das trevas trevosas que envolvem aqueles galgando a noite eterna, vem essa banda que (como é uma tendência aqui) não se levam nada a sério — só a música, altamente complexa e FODA.


Capítulo VI — dos becos e vielas

“I guess every superhero needs his own theme music”

25. Kanye West — My Beautiful Dark Twisted Fantasy
Todo esse disco tem uma pompa, um cerimonial que acho bem cativante. O cara é foda, se leva a sério DEMAIS e isso transpira pelo trabalho.

“you and me make the whole world jealous”

26. Die Antwoord — Donker Mag
Acompanho esse trabalho desde que os caras apareceram no mapa, lá num beco da africa do sul. Com uma cultura de choque muito própria, fazem uns trabalhos visual e musicalmente instigantes.

“and while y’all are rolling doobies — I be in my bedroom scoring movies”

27. Tyler the Creator — Wolf
Curto muito essa vibe completamente fucked up e desconectada da pose da cena rap, fazendo um som foda e se divertindo no processo.


Curti muito fazer essa lista e espero que possa mostrar algum som novo para alguém. Caso tenha alguma indicação de som/comentário/etc pode deixar por aqui ou me procurar pelo twitter.

Seacrest out.