A Patríada

Rafael Valera
Nov 6 · 2 min read
El incendio de Troya, Francisco Collantes. Siglo XVII

Ó figlia di Zeus e Electra:
Quanto vigarista que te enfeitiça!
De teus mares sopram as ondas,
seus flagelos os rituais da tuas misas!

Ah! A avaricia ora brilho dos altares,
teus carrascos honrados em pares;
sempre há pesar após dos pesares,
e tua beleza agora tornada carniça.

Cadê tua força, tua verve?
Acaso escondidas na terrível peliça?
Ora pergunta mais oportuna:
Cadê teus filhos que te servem?

Cadê a idolatria santa de teu campo?
Trocada por cuspe de miseráveis chefes.
Eis a raça das almas criadas por ti?
Eis a linhagem que tu tiveste?

Lembra-te, meu bem! Lembra-te, minha mãe!

A frialdade dos Andes, que
formidáveis homens criou;
sogra de brancas rosas dançantes e
rainha de cumes que tocam o sol.

Como ousais vós, enterrar a faca
com que fizeram teu jantar,
nas costas da eterna mulher
que aos teus mortos dedicou-se
a amamentar!

Amazônia, ó coração do meu ser!
essência do meu lar, e musa do meu ver.
Teus tepuis são pegadas de Deus,
incólumes às corridas do tempo,
fiel aos choros que te extendo,
inalcançáveis às chicotadas dos filisteus.

Como ousais vós, enterrar a faca
com que fizeram teu jantar,
nas costas da eterna mulher
que aos teus mortos dedicou-se
a amamentar!

Zulia esplandece até o Ceu belo;
o sabre de Miguel ri sobre o lago inteiro.
Catatumbo perenne e omnipotente:
torna-te espelho
e mostra o infinito no fugaz.

Lembra-te, meu bem! Lembra-te, minha mãe!

Troia do Caribe, este é o manifesto,
fruto da hubris profã e do forzoso incesto.
Maldição que Nossa Senhora de Fátima
revelou em tardio tempo;
da terra que postraría vil
a brilhante Pátria que vos atesto.

Milhares de castigos para aqueles
que deixaram rasgar tuas peles.
Eis a sombra na qual Antenor os aguarda
e sua fatalidade assinada os compele.

Sem ossos, sem olhos,
com suas cabeças pregadas nos ocos:
São mais dos que quero, e salvos são poucos!
Ignavi, por ratos enfermos, Senhor, te os troco!

Como ousais vós, enterrar a faca
com que fizeram teu jantar,
nas costas da eterna mulher
que aos teus mortos dedicou-se
a amamentar!

Como ousais vós!
Vocês, hereges, não são filhos dela!
Morte! Morte aos mornos,
Morte aos traidores de Venezuela!

    Rafael Valera

    Written by

    «Non dvcor dvco» Escritor, columnista y, esencialmente, poeta.

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