Un día en Madrid — #diarioDeBordo

Rafael Nunes Verger
Jul 28, 2017 · 10 min read

DISCLAIMER
Sou um desenvolvedor brasileiro e vim passar 3 meses em Porto, Portugal. Continuo trabalhando na Jusbrasil, porém remotamente neste período; esse post faz parte do meu #diarioDeBordo (série sobre essa experiência de vida)

Este é apenas meu segundo post da série do DDB. Demorei um pouco mais do que eu esperava pois somente na semana passada comecei a morar no Porto de verdade. Como ainda não consegui estruturar bem algumas coisas que quero passar pra vocês, fica aqui como foi meu dia em Madrid antes de chegar no Porto :)

Vamos ao Hostel!

Essa foi a minha primeira vez em Madrid e, para minha “surpresa”, o aeroporto de Barajas não fica na cidade (assim como o de várias cidades no Brasil e Europa, por sinal).

Fiz a programação de casa de como eu faria para sair do aeroporto e chegar ao meu hostel, o Pil Pil Hostel. E foi tudo bem tranquilo, 45 minutos de viagem, 2 metrôs e uma caminhada pequena.

Caminho de Metrô do Aeroporto de Barajas até o Centro de Madrid

Ah! Existem ônibus (autobuses) também para o centro. Um que roda 24h é o Línea Exprés, passa no T1 em intervalos de 15~20 minutos pelo dia e 35 à noite. Custa €5.00, sai do aeroporto e vai até a estação Atocha Renfe, parando em outros 2 pontos antes, O'Donnel e Plaza de Cibeles. Atocha fica fechada das 23h30 às 6h, então durante esse horário o ônibus vai até Cibeles apenas. Confere no mapa abaixo os pontos de parada, se você pegar um hostel mais próximo ao Parque de El Retiro, vale a pena pegar esse bus.

Trajeto Líne Exprés — Aeroporto Barajas T1 até Atocha Renfe

Pil Pil Hostel

Fiz minha reserva pelo Booking.com mas olhei também no site do próprio hostel e também no Trivago.com para ver qual seria o melhor preço. O Booking estava mais barato, paguei €15.00 na noite.

Cheguei ao hostel por volta das 07h e quase me dei mal. Por que? Pelo simples motivo de que os check-ins são feitos apenas a partir das 15h, em regra; como existiam camas livres e arrumadas, a mulher que me atendeu permitiu que eu fizesse o check-in mais cedo \o/

O hostel é simples. Não há uma área externa pra ficar relaxando enquanto pensamos no que fazer e a área de convivência é bem pequena, apenas 2 poltronas (confortáveis). Os quartos e banheiros, porém, são limpos e arrumados :)

O café estava sendo servido, mas eu não comi. Custava €2.00 e me pareceu apetitoso, porém eu já tinha comido no aeroporto (€12.00), então só tomei una cerveza artesanal e saí para passear :)

Llegó la hora de pasear, vamos!

Saí do hostel quase 08h, com uma lata de Heineken na mão. NÃO FAÇA ISSO! Beber nas ruas de Madrid não é permitido e pode gerar multa! Quando me dei conta de que poderia haver uma regra como essa, bebi a lata inteira ainda na rua do hostel, antes de chegar na avenida principal.

Rua acima do Pil Pil Hostel — Calle de los Mártires de Alcalá

Primeira parada: Templo Debod

Templo Debob, vista frontal

Esse templo é, na verdade, Egípcio! Ele foi doado à Espanha em 1972 e inaugurado como um dos pontos turísticos de Madrid. A entrada é franca, mas fui muito cedo e não consegui entrar :( Os horários de funcionamento são:

  • Terça à sexta das 10h às 14h e das 18h às 20h
  • Sábados e Domingos apenas das 10h às 14h

Aos feriados e nas segundas o templo fica fechado para visitação interna. Então se liguem nos horários pra não terem o mesmo azar que eu :(

Até hoje só consigo dizer que é o templo de bob porque, como não consegui fazer a visitação, minha ida se resumiu a conhecer uma parte do parque, que é um cantinho muito bom pra relaxar e respirar :) Afinal, depois de um vôo de 10h + 40min de metrô, era só isso que eu queria!

Caminho do Pil Pil Hostel até o Templo Debod

O templo está localizado dentro do Parque del Oeste e para chegar até lá basta uma pequena caminhada de 700m a partir do Pil Pil, como mostra o mapa ao lado.

Você chegará numa parte alta do parque que, além do Templo Debob, possui também um mirante onde você pode ver o maior parque de Madrid, o parque Casa de Campo; descendo as escadas do mirante você vai para a parte mais baixa do Parque del Oeste, onde irá encontrar outras atrações como alguns fortes remanescentes da Guerra Civil espanhola e um jardim de rosas minúsculo de apenas TRINTA E DOIS MIL M², La Rosaleda.

Como eu queria relaxar, fiquei apenas na parte alta do parque caminhando, tomando um sol nos banquinhos, ouvindo música e prestando atenção nas pessoas determinadas desse mundo que estavam já suadas de tanto correr :P

Parque del Oeste — Panamoric Landscape

Descida para o Rio Manzanares

Descida da Glorieta de San Vicente para o Rio Manzanares

O Rio Manzanares tem muita história, desde a Idade Média ele é citado em cenas espanholas. Muçulmanos "construíram" Madrid como forma de proteger os avanços fluviais dos cristãos na época da Reconquista. Ele também é "descendente" do Rio Tejo, já que é afluente do Rio Jarama que é afluente do Tejo. Pensei então em ir visitar o rio, né? Deve ser bonito demais com toda essa história!

Assim como quase todo trecho urbano de rios pelo mundo, esse não foi diferente… é simples, contido, e não consegui salvar uma foto sequer dele e ainda tive que descer e subir essas escadinhas todas depois de sair do parque.

Pois bem, a descida do parque até aqui não foi de toda ruim, pois foi por ela que me deparei com uma pracinha com um arco ENORME, a Puerta de San Vicente

Photo by Drow male, via Wikimedia Commons

No caminho ainda encontrei um shopping, o Centro Comercial Príncipe Pío, que sua funcionalidade se parece com a do Oriente de Lisboa. Ele une as estações de trem e metrô, lojas de roupas, eletrônicos, calçados, esportes e muitos restaurantes, além de ter uma arquitetura bem bonita. Vale a visita!

Centro Comercial Príncipe Pío

Jardins do Palácio Real

Vista do Palácio Real a partir do Jardim de Sabatini

Confesso que me apaixonei muito por essa foto que consegui do palácio; mesmo sem ter conseguido alinhar a perspectiva direitinho, não esperava conseguir algo assim com um celular :)

Bem, atravessando a rua na frente do centro comercial e subindo em direção à Plaza de España você vai encontrar dois jardins: primeiro o Jardines del Campo del Moro e em seguida o Jardines de Sabatini, onde bati essa foto.

Ambos tem uma vista belíssima ao Palácio que, por sua vez, vale uma visita e um texto próprio, lógico. Infelizmente eu não consegui visitar dessa vez pois eu já estava em estado de autofagia de tanta fome :(

Breves coisas sobre o Palácio Real: você brasileiro, PODE ENTRAR DE GRAÇA :) basta levar ir, com seu passaporte, nos horários reservados para isso: 18h às 20h no período do verão, se não tem de pagar €6.00 (também com o documento). Dá pra visitar os aposentos decorados do Rei e da Rainha, tem acesso ao Arsenal todo arrumadinho e tem que correr porque a visita tem limite de tempo hehehe

La Gran Vía

Pois bem, lá estava eu, às 11h30, parado aos pés do Palácio Real e tonto de fome, droga :( Como aventureiro preparado que sou — a mais pura verdade hahaha — eu não tinha nenhuma indicação de bons lugares pra comer então comecei a procurar.

Ok, Google; me mostra os restaurantes próximos à mim.

Google me retornou muitos lugares, mas muitos de verdade. A maioria deles ficava nessa rua Gran Vía. Falei: certo, vamos lá nessa "ruazinha" que é bem próximo daqui e lá escolho um lugar.

Edifício Capitol — Calle Gran Vía, Madrid

Cheguei lá às 11h45 mais ou menos e me deparei com a imensidão que é ela.

Calle Gran Vía é uma avenida ultra movimentada de Madrid. Ela tem 1.5km de extensão, vai da Plaza de España até quase o Parque do Retiro e abriga infinitas opções de lojas. Compras, entretenimento e comida. Tem de tudo! Zara, Pull and Bear, Primark, Nike, H&M, loja do Real Madrid e Atlético de Madrid, 6 teatros, 3 cinemas e restaurantes a cada 20 metros.

No caminho para lá fui tentando encontrar um restaurante na lista que eu tinha no celular: pronto, achei! El Tigre, foi o "restaurante" que escolhi; ele fica numa das ruas paralelas à Gran Vía, quase no final. Motivo da escolha? Simples, eles dão comida de graça a cada drink pedido. Isso mesmo. Um prato de entrada (petiscos) para cada chopp, coquetel, roska, vinho, sidra, qualquer coisa! Como "estava de férias" e ainda era cedo, pensei ser a melhor opção. Vamos beber e comer!

A medida que eu andava pela Gran Vía, reparava nos restaurantes e via todos fechados. Estranho. As únicas opções abertas eram os fast foods. Quando cheguei ao El Tigre eu já estava suplicando por comida. Eram 12h15 e encontrei a porta fechada. Não entendi e fiquei batendo até alguém me responder.

- Hola, como estás? Vas a abrir hoy?

- Si si, pero solamente a las 13h

Mas como assim? Pois bem, pesquisando mais sobre esta maluquice descobri que abrir às 13h é abrir cedo, por sinal ¬¬ Foi aqui que desisti de tudo, voltei ao hostel e comprei um almoço num mercado pelo caminho, um salmão com ratatouille que custou a bagatela de €2.99.

Os horários malucos da Espanha

A que horas você toma café da manhã? 7h? Mais cedo? Pois bem, na Espanha, mais cedo que 8h ninguém "nem vive". Estar pronto às 8h é sinônimo de "madrugar" hahaha. O desayuno aqui começa às 9h e vai até quase 12h, meia manhã (não meio dia), nos restaurantes.

O almoço? A partir das 14h é a regra geral. É nesse horário que começa também a famosa Siesta, que dura até umas 17h e é por isso que os horários de TUDO que você procurar estará bi-partido, um horário até as 14h e outro depois das 17h (alguns lugares depois das 16h).

O jantar mais cedo acontece às 21h, mas tenha em mente 22h pra ser mais seguro. E cuidado ao olhar os cardápios dos restaurantes para fazer as programações, em vários lugares o cardápio muda do almoço pro jantar!

E a noite? Como é? Como foi?

É aqui que eu peço desculpas. Meu vôo era cedo no outro dia para o Porto, eu estava cansado pois só consegui dormir às 15h depois da saga do almoço, então preferi não sair e descansar para a minha chegada em Portugal.

Pela noite eu fiz um passeio pelas redondezas do Pil Pil com o notebook nas costas procurando um canto para sentar e escrever. Muitos, mas muitos bares com tapas e cervejas geladas, mas eu precisava me concentrar no objetivo de escrever. Parei às 22h no 100 Montaditos (uma grande franquia que serve tapas, sandes e cerveja) para tomar uma e comi um sandes (que não deu nem pra palitar os dentes de tão pequeno :P).

Saí de lá e encontrei uma Starbucks, peguei um café e comecei a escrever. As horas passaram e já eram mais de 23h. Os garçons disseram que iriam fechar e então saí e me percebi com fome. Vamos lá a mais uma caçada por restaurantes.

Próximos a mim só haviam fast foods, novamente, então optei mais uma vez pelo Google em busca de um restaurante de Paellas. Encontrei um muito bem falado, chamado Bar La Gloria. No caminho para lá, atravessei a rua e estava subindo as escadas da praça Cristino Martos, quando ouço alguém:

Desconhecido: Oye! Alto!

Parei… virei devagar e vi o cara em minha direção

Desconhecido: Para! Baja su mochila y quedarse allí. Cómo te llamas?

Nessa hora pensei: Puta que pariu, saí de Salvador pra ser assaltado em país de primeiro mundo? E o ladrão ainda quer saber meu nome? Aaaah não!

Eu: Hola, que pasó? Porque quieres saber mi nombre?

Desconhecido: Calma. Soy de la policia. Hablas español?

Me mostra o distintivo rapidamente, a lá filmes de hollywood. Miserável, foi muito rápido… será que peço pra ele mostrar de novo?

Eu: Ok ok, me nombre es Rafael. Hablo un poco, que estás aconteciendo?

Policial: Sus documentos, por favor.

Entrego meu passaporte, que por uma sorte do destino eu tinha levado comigo. Bem devagar.

Policial: Brasileño? Que haces en Madrid?

Eu: Si, soy de Brasil. Estoy viajando, a camino de Madrid. Tengo las pasajes de avión, quieres ver?

Policial: No, no hay necesidad. Donde estabas como que una hora atrás? Tiene algo consigo que no debería?

Eu: Yo estaba en el Starbucks y no tengo nada conmigo que no sea meu.

A conversa durou uns 15 minutos, até que contei tudo de onde vim, para onde estava indo, mostrei meu celular com o trajeto traçado, mostrei que estava hospedado próximo dali e, por fim, um parceiro dele chegou e disse que "eu tava de boa". Ouvi eles falando no rádio que tinham achado um moreno, de camisa amarela, bermuda e mochila mas que não havia nada comigo e em resposta dizendo que tinham achado o cara lá num sei aonde.

Pra quem me conhece um pouco sabe como eu e a polícia temos um imenso caso de amor — só que não. Então tentem imaginar tudo que tava se passando pela minha cabeça na hora… Mas tudo certo no final.

Voltei ao meu trajeto em busca da Paella no Bar La Gloria e pra fechar a noite com chave de ouro [ironia mode on] o bar só servia paellas no almoço. Tive que voltar tudo e terminei comendo no Burguer King :(


Bem pessoas, esse foi o meu dia em Madrid, espero que as partes boas lhe sirvam como inspiração e as partes ruins como conselhos para tomar cuidado :)

Um xêro e até a próxima!

Rafael Nunes Verger

Written by

Geek; Web tech lover; Software Engineer @ JusBrasil;

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade