Essa presença chamada saudade

Saudade é aquela onda que te pega desprevenido boiando no mar calmo. É seu celular tocando durante a aula. É aquilo que chega sem avisar e não vai embora sem deixar sequelas.

A saudade andou me pegando esses dias. Assim como o Zika vírus, ela implanta alguma coisa no teu cérebro que te desconcentra, te deixa pensando no objetivo sentido e te faz ir atrás de farelos dessa presença. Uma foto, uma história, um oi.

E mesmo morando em meio a milhões de pessoas, estando conectado com centenas pelas mais diversas redes sociais, a sensação é a de estar cruzando o Atlântico em 1492, com no máximo umas duas recordações guardadas como talismãs e a incerteza de um reencontro.

Essa saudade traz lágrimas, faz querer abraçar travesseiro, ouvir a playlist Hunn ou James Bay, no Spotify, e bolar planos mirabolantes para travestir o passado de futuro.

Essa saudade, como chega vai embora, quando menos se espera, quando já se acostuma com ela como quem acostuma com aquele descascado no canto da parede. Vou ali ver TV, quem sabe ela vai embora.

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