O dia do adeus…

Chegávamos a Porto Alegre para o último jogo oficial do Olímpico Monumental. Já sabíamos de toda mística que aquilo iria envolver, que iríamos chorar tão logo colocássemos os pés no já velho, mas aconchegante concreto do Monumental. Que tão logo o último apito soasse em nossos ouvidos aquela história vitoriosa do Olímpico estaria findando. O Olímpico Monumental deixaria de ser palco de nossas inúmeras vitórias, de alguns empates e das poucas derrotas para ser ETERNO (http://www.youtube.com/watch?v=Mvxm9E1Z5TQ). Passaria a faixa de estádio do GRÊMIO FOOTBALL PORTO-ALEGRENSE para a Arena. Isso cedo ou tarde aconteceria, seria inevitável.

Porém o Olímpico Monumental, estádio construído por e pela torcida do GRÊMIO será eterno em nossas mentes, em nossos corações e especialmente nas cores azul, preto e branco que o velho casarão cravou no coração da Azenha. Afinal, como a Geral do Grêmio canta: “Venho do bairro da Azenha; Bairro do Monumental”. Foi de lá que partimos para conquistar o Rio Grande do Sul, o Brasil, a América e o Mundo. Lá nos tornamos um clube tão amado e tão reverenciado por todos, em todos os lugares do MUNDO. Nós somos reconhecidos, e temidos. Nós somos o Grêmio.

Mas o momento havia chegado, o jogo terminou como um GREnal de verdade: expulsões, nervos aflor da pele, brigas, confusões, torcida incendiada, e várias belas e emocionantes homenagens. Aos ídolos, ao Monumental, ao Grêmio, enfim… a nós. Nós torcedores que fizemos essa grandeza, que torcemos para um dos maiores e melhores clubes do mundo. A vitória não veio, nem a derrota, mas o que isso importava? A tristeza ao final da partida era certa.

Era como se tivéssemos indo visitar um ente querido que sabíamos que iria morrer, que não passaria das 20h daquele derradeiro domingo dia 02 de Dezembro de 2012. Nos deixaria ainda muito novo, com apenas 58 anos. Porém, nestes 58 anos ele nos criou, nos cuidou e nos deixou acostumados e com sede de vitórias. Quando entardeceu, depois de um belo dia de céu azul, eu tinha a certeza que o Olímpico estava nos dando o adeus que tanto tentamos evitar de pensar. Mas também tenho certeza que com o pôr-do-sol daquele lindo dia. A brisa que assoprava levava nossos cantos à Arena, e junto com ele o Olímpico Monumental dava seu último suspiro, e com ele foi o pedido para que a Arena nos acolhesse e nos desse tantos frutos quanto o velho casarão nos deu.

Ninguém mais do que ele vai sentir nossa falta. Ele que nos acolheu tantas e tantas vezes, que aceitou nosso abraço, que aceitou nossos pulos, nossos risos e nossas lágrimas. Talvez nenhum título nos vez chorar mais que este dia em que tivemos que dar adeus ao querido e amado Olímpico. A nossa casa. Mas um pouco antes de sair do estádio, pude presenciar uma das cenas mais belas e emocionantes daquele final de tarde.

A torcida queria levar um pedaço da sua história para casa. E talvez o mais representativo, da história recente do Olímpico, seja a famosa torcida do P10. Aquela que coloca medo nos adversários, aquela que não pára de apoiar nunca, aquela que canta o jogo todo. Aquela que dá exemplo. Uma placa acima deles sinalizava o local onde tudo começou: “P10” e uma seta que apontava para o portão por onde eles (e eu) sempre entrava no estádio. Aquela placa não era somente uma placa, era um monumento, um troféu, um objeto qe unia a torcida com o estádio. Ali estáva representado a alma daquele estádio. E num evento quase que natural os torcedores tentavam retirar a placa para levar. Aos cantos de “ôôôôô placa imortal” (http://www.youtube.com/watch?v=e_bXZsa8F0Y) cerca de 30 mil pessoas que teimavam em não deixar as arquibancadas não percebiam que a dificuldade em retirar aquela placa, na verdade não era porque ela estava bem presa.

Mas sim, porque o Olímpico Monumental queria nos dar um último presente: queria segurar em nossas mãos por mais um tempo. E com isso mostrar sua felicidade. Ele estava indo embora, ele estava sim nos deixando. Mas estava satisfeito com todos os serviços prestados. Quando a placa finalmente caiu, ele fechou os olhos, sentiu a última Avalanche e partiu. Deixou sua alma ir para a Arena. Onde dia 08 de Dezembro deste mesmo ano, uma nova história começa sob os olhos do velho casarão: nosso Olímpico “Eterno” Monumental.

Obrigado, Olímpico.

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