Olímpico Monumental — o velho casarão, nossa casa

Domingo, dia 19 de Agosto de 2012.

Ainda era cedo quando eu estava acordando em Florianópolis, mal havia dormido naquela noite. A ansiedade batia muito forte. Sei que seria um jogo fácil contra o lanterna do Brasileirão, mas o adversário sempre foi complicado. A preocupação parecia ser disso, dos pontos em jogo.

Assim, a hora que acordei fui para o ponto de encontro, e de lá comecei a perceber que aquela ansiedade na verdade tinha outro motivo. Mas como ainda não tinha certeza, melhor conversar sobre outros assuntos e assim se desenrolou a viagem, falamos de Grêmio: ex-jogadores, eleição para presidente e a politicagem nojenta que nosso clube tem passado nos últimos anos. Conversas e mais conversas, quase todas gerando grandes risadas ao final. Assim a viagem que outrora levava muito tempo, passou rapidamente e quando nos demos conta já estávamos parando em frente a nova casa do Grêmio para tirar fotos.

Quando descemos do ônibus, ali mesmo na beira da estrada, pude perceber um ambiente diferente. A Arena ali gigantesca em nossa frente, e lá, do outro lado da cidade, o Olímpico, nosso destino final. Deu para sentir um arrepio na espinha. O dia da despedida está cada vez mais próximo. O que será do Grêmio sem o Olímpico? O que será dos torcedores sem o velho casarão? Sem o palco de inúmeras conquistas, batalhas e histórias lindas que são passadas de geração em geração?

Este sentimento cresce ainda mais quando paro para conversar com meu pai e meu tio a respeito do que eles viveram no Monumental, das histórias de jogos e vitórias que eles me contam, das lembranças dos grandes craques que passam no telão e eles apontam exatamente o local do campo em que eles costumavam pisar e fazer suas jogadas de raça e magia. Aquele sentimento de ansiedade começava a mostrar que não era a respeito do jogo, dos 3 pontos ou pela viagem. Era sim pelo cinquentenário Olímpico Monumental na Azenha e toda a falta que ele iria fazer no ano vindouro.

Nossa viagem seguiu e fui buscar a carteira de sócio na casa de minha vó, e a partir de lá, seguir para o estádio. Segui calmamente o caminho que sempre fiz desde 2002, meu primeiro jogo no Olímpico, coincidentemente contra o Coritiba, nosso adversário pela Copa Sul-Americana amanhã, um 4x3 de virada aos 47 minutos do segundo tempo. Jogão! Típico da raça e das viradas históricas do Imortal Tricolor da Azenha. E ali, em 2002, próximo do portão 10 minha história no Olímpico começava.

E agora? Como vai ser? A Arena do Grêmio tá aí! E onde eu estou pisando agora, em 2013 possivelmente será um prédio ou um pedaço de grama ou asfalto. É minha casa! Meu estádio! Ninguém pode demolir! É a história do Grêmio, dos Gremistas, e também de todos os porto-alegrenses. Mas esse sentimento vai-e-vem. O moderno precisa tomar conta. A renovação é necessária. E para o Grêmio essa verdade se mantém.

Mais um jogo eu estava prestes a assistir, ali da onde sempre costumo assistir com meu pai e meu tio, meus maiores companheiros de Olímpico, mas desta vez eu estava sozinho. Eu e o Grêmio. A minha atenção, talvez pela primeira vez em muito tempo não estava somente no jogo. Estava também naquela beleza de final de tarde na Azenha com a arquitetura já ultrapassada do atual mais belo estádio (pronto) do Mundo refletindo os raios do sol. Foram os 90 minutos que mais contemplei o templo Gremista. O jogo era de fato fácil e toda aquela preocupação na cama, agora se mostrava de fato que era a falta que o Olímpico irá fazer em minha vida. Em nossas vidas!

O jogo terminou em 4x0, uma aula de futebol, um Grêmio brigador e que não precisou se esforçar demais para vencer fácil o lanterna do Brasileirão. Mas mesmo assim brigador. Tivemos jogadas bonitas, golaços e provocações. Um belo jogo e uma bela tarde de futebol. Digno para viver o Olímpico (#vivaoolimpico e #olimpicoparasempre). Era mais um apito final que eu escutava no Olímpico e a cada um que eu escuto, mais próximo está a despedida.

Esperei a arquibancada se esvaziar ali mesmo naquele lugar. Sentado no concreto da arquibancada. Só observando o entardecer na Azenha, a movimentação no gramado e a torcida indo embora. Depois de alguns minutos me levantei e caminhei lentamente para o portão 10, local onde ainda estava a banda da Geral do Grêmio entoando algumas canções. Ali mesmo me debrucei na mureta e segui observando, agora com mais calma o Olímpico, queria que aquelas imagens ficassem congeladas em minha memória e de lá nunca mais fossem retiradas. É a homenagem mais justa e sincera que poderia fazer ao velho casarão da Azenha.

A emoção foi consequência de lembrar tudo que já passei naquele estádio, inúmeras vitórias e algumas derrotas, títulos e jogos que nada valiam. As lágrimas aos poucos iam deixando meu rosto em direção ao concreto do Olímpico, onde muitos já pisaram. Onde jogadores se tornaram lenda e onde um clube fez a alegria de milhões de torcedores, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo. Em 2012 ainda nos veremos. Tenha certeza que estaremos sempre contigo.

“Para o que der e vier, mas o certo é que nós estaremos com o Olímpico onde o Olímpico estiver!”

O Olímpico é minha segunda casa. Lá me sinto acolhido, seguro e de alguma forma envolto na magia Gremista. Quando estou lá, nada interfere, não me lembro dos problemas. Lá, sou e o Grêmio e nada mais.

Obrigado Olímpico.