A ERA DE OURO DOS DESENHOS ANIMADOS

Na década de 90, eu era uma criança que frequentava os bairros mais pesados e sombrios do submundo dos canais infantis na tv. Eu gostava de assistir nickelodeon, cartoon network e fox kids até altíssimas horas da madrugada (20h30 mais ou menos). E nessas minhas maratonas de desenhos animados, pouco a pouco eu fui formando meu caráter e senso de humor — sim, isso explica minha infantilidade e o motivo de eu ter achado engraçado uma vez que eu ouvi uma mulher falando “bíqueps” quando ela leu a palavra biceps hahahahaha.

Daí que esses dias eu estava reassistindo uns episódios dos desenhos de antigamente achando que eu fosse ver uns roteiros rasos e as animações mais toscas possíveis. Mas foi bem o oposto disso, sério. A verdade é que alguns desenhos até tem um ~quê~ meio de paint, mas se você parar pra pensar no que era a tecnologia dos anos 90, meu amigo, o negócio era praticamente efeitos especiais.

E antes de eu continuar esse texto, porque você já deve ter entendido pra onde eu tô indo, sim, eu sei que atualmente existem desenhos baita bons (hora da aventura, gunball, etc.), mas olha essa análise abaixo aí e me diz se eu não tô certo que antigamente o negócio era outro nível:

ROCKET POWER

A construção de personagens de rocket powers é de dar orgulho pra essa geração lacradora; o otto, com aqueles dreads e aquele olhinho de jorge kajuru, com certeza é a favor da legalização da maçonha. A reggie, com o cabelo roxo e óculinhos de kasinão, no mínimo tinha tudo pra apoiar as causas feministas. Isso tudo sem falar no tito que foi o primeiro personagem gender fluid da história:

did you just assumed my gender?

Mas a real é que ninguém se importava com essas coisas não, porque o importante da história era os flips, os grinds e os tubos que eles pegavam. Não tem nem 0,0001% do desenho ser ruim sendo que os personagens principais passavam o tempo todo lançando umas manobras que a gente penava pra imitar no tony hawks 3 do saudoso playstation 1. Era isso que a gente queria, sabe? Não precisava fazer uma parada que deixasse a gente pensando durante dias, nós só queríamos uns skatinhos, umas pranchinnhas e um ‘mahalo’ de vez em quando.

ugi ugi ugi ugi

DOUG

Taí um desenho muito subestimado e que algum dia eu vou dedicar um texto inteiro só pra ele. Doug tem todo um trabalho de semiótica por trás dos personagens, que se você parar pra analisar, dá pra entender bem a relação entre os personagens e as cores deles (ou era só os lápis de cor que os caras tinham na hora mesmo, é uma opção também).

essa era a pior paty maionese que tinha

Mas a melhor parte de doug é o quanto era possível sentir proximidade do desenho, porque ele sofria bullying, era narigudo e queria ser um super heroi, igual todos nós… que? Vocês eram as pessoas que praticavam o bullying? O nariz de vocês é de um tamanho aceitável? Vocês sonhavam em ser engenheiros? Ah, tá… deixa pra lá, então.

E se você por acaso não manja o tanto que doug era legal, só assiste esse vídeo curtinho aqui, onde um dog está trabalhando como produtor da melhor música já escrita na história da humanidade:

O LABORATÓRIO DE DEXTER

Eu teria um trilhão de coisas pra falar sobre esse desenho pra defendê-lo como uma das melhores coisas que já passou pela televisão, mas não vai ser preciso. Vamos focar apenas em 1 episódio, que na minha sincera opinião deveria ser tratado como item fundamental em qualquer curso de roteiro do mundo: o episódio do omelette du fromage.

Sério, mas sério mesmo, para absolutamente tudo o que você está fazendo e investe 6 minutinhos do seu dia pra ver essa pérola:

Pode falar o que você quiser. Não existe nenhum desenho animado moderno que sequer se aproxime da categoria desse único capítulo do dexter. Caso encerrado, I rest my case.

(E olha que eu nem falei de rugrats, thornberrys, super patos, super campeões, coragem o cão covarde, a vaca e o frango, animaniacs, bob esponja, johnny bravo, hey arnold, pokémon, x-men, rocko, freakazoid, etc. Anos 90, melhores anos)