A VIAGEM PRA DISNEY — PARTE 1

Essa história vai ser longa, sério. Longa mesmo. Já se prepara que as 2 partes vão ter muitos parágrafos, mas eu juro de pé junto que vale bastante a pena.

No começo de 2014, o mundo era muito diferente: o brasil ainda não tinha tomado aquele 7x1 da alemanha, a gente ainda não sabia que batman vs superman seria um lixo e o dólar… ah, o dólar tava ruim, mas tava bom, né?

que saudade de reclamar do dólar a R$ 2,40

E foi nessa época de vacas um pouco mais gordas que eu e a kika resolvemos aproveitar para viajar pra disney. Dia 1º/01/2014 nós voltamos da nossa viagem de réveillon, dias 2 e 3 eu trabalhei feito um camelo e no dia 4 nós já estávamos no aeroporto de malas prontas pra ir pra disney. Tudo muito rápido.

Agora vem um ponto muito importante da história, presta atenção. Nosso trajeto era o seguinte:

são paulo → houston/texas (1h30 de escala) → orlando/flórida

Guarda essa informação que ela já vai ser relevante.

Enfim, nosso primeiro voo saindo de são paulo estava marcado para decolar às 23h35 do dia 4, mas como a vida definitivamente não é fácil, caiu uma chuva muito forte naquela noite e a viagem atrasou em quase 1 hora, ou seja o avião partiu só às 0h30 do dia 5. Se você é uma pessoa minimamente atenta, você já se ligou do que isso vai gerar, certo? Mas calma que a gente já chega lá.

tinha chovido demais irmãozinho sério

Bom, antes de qualquer outra coisa, eu acho importante citar 3 pontos sobre a viagem em si:

  1. As pessoas responsáveis por desenhar os assentos dos aviões tem no máximo 1,50m de altura, só isso explica;
  2. As refeições servidas durante o voo são feitas para sustentar pessoas com imc menor do que 7;
  3. Por fim, de são paulo até houston são pelo menos 12 horas. Então, caso você esteja se perguntando quanto tempo seguido uma criança consegue passar chorando sem parar, eu chutaria por aí. Sério, se você possui um filho, por favor, eu repito POR FAVOR, pensa umas mil vezes antes de colocar ele dentro de um avião. E digo mais, se você for o pai daquele projeto de satã que não se calou nem por 1 segundo na viagem, eu te odeio. E não é pouco.

Enfim, quase metade de um dia depois da nossa decolagem, a gente finalmente chegou em houston e, por mais que eu tenha tentado evitar, eu perdi a conta de quantas vezes eu falei:

E o pior de tudo é que a gente tinha um problema mesmo. A escala em houston era só de 1h30 e o nosso voo já tinha atrasado 1h em são paulo. Pra ferrar de vez com tudo, tivemos mais problemas na hora de desembarcar. E aí, com a passagem obrigatória na imigração e todo o trâmite pra despachar nossas malas pra orlando, obviamente nós perdemos a conexão.

Imagina :) nossa :) felicidade :)

Mas até aí, tudo bem. Solicitamos à companhia aérea um bilhete novo pro próximo voo e eles emitiram numa boa. Chamaram nosso novo voo, colocaram a gente dentro de um avião junto com uma galera que também tinha perdido a conexão e deixaram a gente lá. Sério, literalmente deixaram a gente lá, porque acreditem ou não (é até difícil escrever essa parte de tão inacreditável que é), simplesmente não tinha tripulação dentro do avião HAHAHAHA parece brincadeira, eu sei. Mas basicamente é isso que você leu mesmo, a gente estava participando de um ‘apertem os cintos o piloto sumiu’ da vida real. A companhia colocou todos os passageiros a bordo, mas não tinha ninguém pra pilotar.

Tiraram todo mundo do avião e pediram calma pois eles iriam ver o que podia ser feito pra levar aquela cambada toda pra orlando ainda naquele dia. Só que calma era a última coisa que eu tinha, porque eu tava morrendo de fome. Então a gente foi dar uma voltinha no aeroporto pra comprar alguma coisa comestível.

E nessa parte do texto é importante ressaltar um ponto: particularmente, meu inglês não é ruim não. Porém, se tem uma coisa que eu aprendi logo de cara naquele nosso primeiro dia em terras estrangeiras, é que a língua que os atendentes de fast food falam, definitivamente não é inglês. O diálogo que rolou entre mim e o caixa do wendy’s foi mais ou menos o seguinte:

- hi I would like to make an order please
- sure idjsidoskçds~dsadçsdls sdap burguer?
- burguer!
- s´dlas~´fakfaçfa~fç f medium?
- medium!
- (&$)(*_)((#)#I#*#)# rare?
- rare!
- f´]asa]fdpkf]fa dk and 97 cents, ok?
- ok!

Juro, até hoje eu não acredito que veio um hambúrguer, com fritas e coca mesmo. Até onde eu sabia, eu podia ter acabado de encomendar uma noiva senegalesa que eu não teria como contestar. Eu fui só concordando com a última palavra que o cara falava.

imagens da câmera de segurança mostrando como eu estava comendo

Ok, com o problema da fome resolvido, voltamos pro portão de embarque. Lá, já tinha se formado uma fila imensa de pessoas tentando se encaixar em algum voo que levasse pra orlando ainda naquele dia. Minha memória não é das melhores, mas acho que já era umas 16h quando isso aconteceu. Nós ficamos nessa fila por mais de uma hora. E eu juro… calma, vai parecer mentira pelo tanto de perrengue que a gente já passou até agora, mas eu JURO, que quando chegou na nossa vez de ser atendido, a recepcionista daquele portão simplesmente resolveu abandonar o posto. Sério. Chega a dar uma raivinha aqui em mim só de lembrar.

E a solução dela pra nós e pra todo mundo que estava atrás na fila? Ir pra uma outra fila gigantesca tentar arrumar uma passagem com outra companhia aérea. Meu amigo, essa hora eu tava retardado. Eu tava doido. Eu tava retardoido. Pra gente não ficar preso pra sempre no texas, eu fui pra essa tal fila enquanto a kika e umas família de colombianos (?) tentava arrumar alguma outra saída com a recepcionista fujona.

Tempo vai, tempo vem, a gente finalmente conseguiu uma nova alternativa. Depois de MUITA conversa, a atendente sugeriu que nós fôssemos pra uma cidade também na flórida ainda naquela noite e tentássemos de lá pegar um avião ou alugar um carro pra chegar em orlando a tempo de dormir no nosso hotel. A gente aceitou. O nome da cidade: fort lauderdale.

praticamente uma ida de ubatuba pra são paulo

Antes de enfiar a gente naquele avião que mais parecia um teco teco, a atendente fez uma última coisa que devia muito ter acionado o nosso radar de VaiDarCagada™. Ela nos perguntou como eram nossas malas, pois ela iria pedir ao pessoal responsável pra retirá-las do despache pra orlando e enviar pra fort lauderdale junto com a gente. De verdade, pensando agora com calma e frieza, NUNCA que isso daria certo. Mas a gente confiou na shirley (nem deve ser esse o nome dela, mas vamos fingir que era).

Mas ok, tínhamos um novo plano. Entramos naquela caixa de papelão com dois ventiladores embaixo das asas que eles carinhosamente chamavam de avião (também não tenho certeza se ele era tão ruim assim, mas minha lembrança dessa hora é meio turva por conta da ansiedade que eu tava sentindo). Nesse voo, como nós fomos encaixados, cada um de nós sentou na poltrona do meio de cada fileira do avião:

melhor infográfico fala tu

Nesse trajeto houston → fort lauderdale, eu sentei ao lado de uma senhora canadense muito gente boa e educada. A gente conversou um pouco sobre climas e viagens. Do outro lado do avião, a kika ficou conversando com um senhor canadense, que por acaso também era muito gente boa, educado e cheio de história pra contar. Quando nós pousamos, o senhor veio rapidinho ajudar a senhora a pegar as malas no compartimento de cima. E eu fiquei um tempinho meio assim ?????. Eu demorei pelo menos uns 5 minutos pra entender que eles eram um casal. Ou seja, se a gente tivesse conversado direitinho, dava pra termos trocado os lugares e os casais ficariam juntos. Mas ainda bem que não trocamos, porque sério, eles eram MUITO legais.

Aaah, nesse voo também aconteceu uma coisa bizarra: tinha um pessoal assistindo futebol americano nas tvzinhas das poltronas. E em um momento lá, rolou um touchdown e eles começaram a berrar desesperados de alegria. Foi pior que qualquer turbulência que nós passamos, porque deu 103% de impressão de que o avião estava caindo.

Finalmente no aeroporto de fort lauderdale (fala esse nome em voz alta aí na sua casa, é mó gostosinho de falar hahaha), deu a lógica: nossas malas não vieram conosco, maldita shirley. No maior estilo ronaldinho gaucho, a gente foi pra um lado e as nossas coisas pro outro.

E pra deixar a história só um tiquinho mais triste. As bagagens do casal canadense de velhinhos também foram perdidas. Só não falo pra você chorar e se lamentar aí, porque eles estavam rindo da situação e só pensavam no cruzeiro que eles estavam indo fazer nos próximos dias.

Tá agora acabaram os perrengues, né?

Calma, djovem. Ainda tem mais um detalhezinho só. Já era tarde (umas 20h30), não existiam mais voos pra orlando e nós não teríamos a menor condição de alugar um carro pra pegar estrada naquela noite. Tudo que a gente tinha naquela hora era: uma mochila pequena com coisas do dia a dia, sono, preocupação e 3 horas e meia de distância pro nosso destino verdadeiro.

PARA! PARA! PARA!

[/joão kleber mode off]

A primeira parte da história acaba aqui, com nossos herois numa enrascada e sem muitas certezas de como vão se virar. A segunda parte desse texto sai logo, prometo. Mas ela vai ser ainda maior do que essa, então demora um pouquinho pra escrever, tá?

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