ANOS 90 X ANOS 10

Eu cresci nos anos 90; a época dos mullets, das roupas bizarras e das músicas de pagode com duplo sentido escancarado. Naquela década, nossa seleção era temida, o pastel era barato e tinha no máximo uns 10 tipos de carro nas ruas. As 4 estações eram bem definidas, cinema só tinha 2 dimensões e internet banda larga era luxo. Era um tempo onde adulto era adulto, criança era criança e vice-versa.

Por falar em criança, até uns 10 anos de idade, a vida era só correr, chutar tampinha no pátio do colégio, ler gibi e ver um gato tentando assassinar um rato no desenho da tv. Criança era bicho ranhento, imprevisível, corria sem olhar pra frente, tropeçava, levantava e corria mais um pouco, aí chegava em casa e escondia o joelho ralado pra não passar mertiolate. Criança comia pacote de bolacha tomando groselha direto das arminhas de plástico, tinha quarto bagunçado, com papel cheio de desenho jogado em cima dos móveis e sonhava em ser astronauta.


Mas agora nós estamos no anos 10; época das barbas de 3km, dos tênis de mil reais e das músicas que “pera lá, o que você falou aí?”. Uma década em que a seleça é só tristeza, um churros é 8 dilmas/temers e tem pelo menos uns 100 tipos de celulares nas ruas. Inverno dá praia, filme 3D é 50 reais e o 4G é mais rápido que a internet da nasa quando o homem foi pra lua. É um tempo onde adulto é infantil e criança é gente grande.

Por falar em criança, até uns 10 anos de idade, agora elas tem que saber cozinhar, lavar, passar e cantar, senão não ganha reality show. Hoje em dia a brincadeira é socar árvore, picaretar diamante e construir uns castelos, mas tudo no minecraft, sem levantar da cadeira. Criança faz refeição regrada, não se suja (coitada da omo) e sonha mesmo em ser youtuber. E como se não bastasse tudo isso, criança também que ser politizada, ser oprimida na escola por conta do seu posicionamento sobre o impeachment, querer ajudar as minorias e falar palavras de ordem aos prantos. Se não fizer isso tudo (mesmo que só na cabeça dos pais), não gera like.


Deus que me livre falar que os anos 90 eram melhores, mas que eram, eram.

Like what you read? Give Rafael Morandini a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.