
AS OLIMPÍADAS DO RIO 2016
São 20h em ponto no Rio de Janeiro. O presidente em exercício Mitchel Dener pigarreia, limpa a garganta e se levanta da cadeira, pronto para fazer o discurso de abertura dos jogos olímpicos de 2016. Ele havia sentido um desconforto no estômago durante o dia inteiro, que ele podia jurar ser apenas nervosismo, mas agora parecia algo diferente… enfim, não era hora pra pensar nisso:
“Boa noite, senhoras e senhores!” — a sua voz ecoou pelo microfone, tal qual cornélio fudge falando na abertura da copa do mundo de quadribol.

Vivas, vaias, gritos de ‘fora’ e gritos de ‘fica’. Todos os presentes no estádio naquele momento começaram a se manifestar contra ou a favor da autoridade. Com um risinho amarelado que foi projetado nos telões do maracanã e na tv de milhões de brasileiros, Dener virou-se em direção à esposa bela, recatada e do lar e sussurrou “é foda kkk” cobrindo a boca.
“É com grande prazer” — continuou, aumentando a voz para encobrir a torcida ensandecida — “e com a certeza de que seremos anfitriões excelentes rsrs que eu decl COF COF”
Todas as câmeras do local (emissoras de tv, celulares gravando snapchats, cybershots) focaram no presidente.
“Me desculpem. Como eu dizia, eu declaro abert COFCOFCOF” — Mitchel se contorcia em tosses fortes — “Eu declaro abertos os jog COFCOFCOFCOFC… ABERTOS OS JOGOS OLÍMP COFCOFCOFCOFAAAAAAAARGH”
Ninguém entendia o que estava acontecendo, Mitchel começou a se revirar apertando a barriga. Ele urrava de dor e as pessoas ao redor começaram a correr para acudir. Em menos de segundos, o estádio inteiro passou de um silêncio profundo, para um barulho de conversas, risadas e gritos. Memes eram feitos aos montes por quem estava acompanhando pelo computador e eram compartilhados na velocidade da luz pelas redes sociais. Tudo isso acontecendo enquanto o presidente começava a tremer, focado por centenas de câmeras sempre atentas ao camarote mais alto do estádio. Então, de repente, todas as luzes se apagaram e uma escuridão completa permeou o local.
— ÊÊêêÊêÊÊÊÊêêê
— UUUUUUUUUH
— NINGUÉM É DE NINGUÉM
— NÃO PAGARAM A CONTA KKK
No meio do breu, as pessoas começaram a acender as telas e lanternas dos celulares. Em pouco tempo, feixes de luz desgovernados tomaram as arquibancadas, até que diversas pessoas perceberam algo estranho e gritaram juntas “OLHEM ALI!”. As luzes então convergiram para o centro do gramado e aquela forte iluminação cegava a todos. No máximo, foi possível ver uma silhueta formada pelo contorno da luz: aparentava ser um humano baixo, mas com… chifres?!
“MUAHAHAHA” — uma voz grossa e rouca ecoou — “Vocês não acharam mesmo que eu deixaria esse lindo evento passar em branco, acharam?”
De um segundo para o outro, todas os refletores do estádio voltaram a funcionar e deixaram a situação clara como o dia. No centro do campo estava a ex-presidente afastada Wilma Joussef munida de um par de chifres demoníacos, segurando em suas mãos a carcaça sem vida de Mitchel Dener. O círculo central do maracanã agora possuía um pentagrama invertido desenhado nele. Gritaria e corre-corre tomaram conta das pessoas presentes, o que foi rapidamente cessado por uma rede imensa de fios que caiu sobre a cabeça dos espectadores, assim como nos desenhos animados.

“Tolos! Não há escapatória. Não… vai… ter… golpe!” — Mesmo sendo um momento de ameaça, Wilma falou essa frase errando a pontuação e pausas para respiro, como sempre.
Ela encarava a todos os presentes.
“Sinto muito, Wilminha, mas eu preciso descordar disso.” — Uma voz vinda do céu chamou a atenção da ex-presida. Era Laércio Reves pilotando um helicóptero.
A surpresa tomou conta do rosto dela.
“Ah, não! Não você… não agora no meu momento de glória!”
O que aconteceu a seguir foi muito rápido. Wilma largou o corpo de Dener no chão e conjurou um cajado em pleno ar. Laércio pulou do helicóptero e começou a deslizar por uma superfície formada à partir de um pó branco que caía do veículo aéreo. Enquanto deslizava, ele pegava um pouco e passava no nariz para encher a barrinha de seu especial. Ao aterrissar, ambos ficaram frente a frente se olhando e partiram para o duelo. Wilma bateu o cajado no chão e lançou uma labareda de fogo pra cima de Laércio que rapidamente ativou uma carta de defesa chamada Didi Mocó que apareceu com um extintor apagando o perigo e sumindo em seguida. Automaticamente, Laércio contra-atacou com um carreta-furacão-de-olhos-azuis que correu dançando pra cima dela, que sem pensar 2 vezes invocou o M.S.T. (monstros satânicos transcendentais). Eles emergiram do gramado feito zumbis com seus bonézinhos vermelhos e bandeiras com o mapa do brasil e lutaram bravamente contra o megazord formado pelo popeye, capitão américa e fofão. E Wilma aplicava um choque de lacração, que era prontamente respondido com um hyper-chola mais-beam. Laércio jogava bolsominions, Joussef ativava inês brasil “moooo… naaaaaa…. MOOOOOUR” (ler como se fosse o pikachu carregando um ataque). Wilma avançava pela direita com um jean willys + textão fan fic. Reves recuava pela esqueda com um farolete dos olhos da mulher do eduardo cunha. A noite ía caindo no rio de janeiro e o céu era iluminado fortemente pelos feitiços jogados um contra o outro (“petrolliarmus”, “lava jato kedavra”). E foi numa dessas trocas de magia que os raios se encontraram no ar e criaram uma explosão gigantesca. As faíscas saíram sem rumo pelo ar quase acertando quem estava por ali. Uma dessas fagulhas, no entanto, foi certeira e cravou os aros olímpicos que enfeitavam o topo do maraca.
Lentamente, o fogo foi percorrendo círculo após círculo até tomar conta do símbolo como um todo. Os aros, feito de material reciclável em uma ong do rj (é brasil, pô, o que você tava esperando?), começou a derreter e desaparecer diante dos olhos da multidão. Quando o último aro queimou, uma surpresa: a última faísca ganhou vida e voou pelos ares enquanto crescia e ganhava forma. Apesar de incrédulos, todos viram aquele minúscula faísca se transformar em um ser iluminado que pousou delicadamente no meio de uma Wilma e de um Laércio atônitos. Ninguém falava nada, todos apenas observavam. O ser iluminado, então, abriu a boca e disse com uma voz angelical:
“Eu sou o espiríto do 7x1. Já estou completamente saturado com a situação que esse país está vivendo desde aquele fatídico jogo no mineirão. Sendo assim, em nome de adriano imperador e aloísio chulapa, eu digo que a maldição do mineiraço está desfeita e declaro abertos os jogos olímpicos de 2016”.
PLAU.
Com um passe de mágica, no segundo seguinte tudo havia voltado ao normal. Não existia mais corrupção nem pilantragem no país. A seleça agora era habilidosa. Textão no facebook era coisa de maluco. O dólar tava tão baixo que o mickey tava procurando airbnb no brasil. Churros era só 1,50. O tony ramos e a glória pires trocaram de corpo. O leandro hassum engordou. As pessoas mandavam e-mail falando segue anexo e tinha anexo. Ninguém mais marcava reunião que podia ser resolvida por call. O último episódio de himym agora terminava antes DAQUELA parte. O estado islâmico mudou o nome pra estado x-lâmico e virou um food truck de hot dog com kebab. E o brasil passou a ser governado pelx presidentx Wilmærcio, sendo o primeiro cargo político ocupado por uma pessoa sem gênero.