
MATERIAIS CIRÚRGICOS, O QUE TÁ ACONTECENDO E MUHAMMAD ALI
Eu já contei aqui sobre quando eu trabalhei em um buffet infantil, já mencionei a minha passagem por um instituto de pesquisa e contei um pouco sobre eu ser publicitário. Mas teve também a vez em que eu trabalhei em uma empresa que fornecia materiais para cirurgias. Senta que lá vem história.
Durante quase 1 ano e meio, eu fui funcionário dessa empresa de materiais cirúrgicos, unicamente porque foi um trabalho que apareceu pra mim na época e me dava dinheiro o suficiente pra pagar a faculdade. Eu nunca tive a menor aptidão ou vontade de trabalhar com próteses e instrumentos que são usados pra consertar partes do corpo quebradas. Ainda mais eu, que já passei por 2 cirurgias quando esmerilhei meu joelho.
E nessa empresa, eu fazia absolutamente de tudo: cuidava do sistema, ajudava no estoque, organizava papelada, ajudava na logística, cobria a recepcionista na hora do café e feriados e depois de um tempo comecei a fazer orçamentos. Sério, eu passei por quase todas as áreas daquele lugar. Eu só não cuidava do cafézinho também, porque lá tinha a dona maria (que diga-se de passagem, gostava de mim e preparava 1 pão a mais por fora pra eu comer de tarde).
O problema de lá é que, por se tratar de um assunto tão delicado como cirurgias, todo mundo estava o tempo todo com os nervos a flor da pele. Chefia, hospitais, famílias dos pacientes… basicamente todo mundo que precisava falar comigo, já chegava gritando. E foi assim durante todo o tempo em que eu estive lá: acordava 15 pras 6h, chegava na empresa às 7h, trabalhava até as 17h ouvindo gritarias, pegava um ônibus pra chegar correndo na faculdade às 18h30, estudava até 23h15 e voltava pra casa 00h pra tentar fazer alguns trabalhos antes de dormir e começar tudo de novo no dia seguinte.
Foi um período infernal na minha vida, onde tudo que eu conseguia pensar era “eu nunca vou ser um publicitário, minha vida vai acabar nessa empresa”. Acho que não tinha um dia em que “o que eu estou fazendo com a minha vida?” não passasse pela minha cabeça. E foi ruim mesmo, não tem lição de moral nessa parte da história.
Mas a questão aqui é: em momento algum eu deixei isso acabar comigo. Eu pensei em desistir da faculdade, eu pensei em pedir demissão, eu pensei virar jogador de futebol da quinta divisão do futebol neo-zelandês. Mas eu fiquei firme e de pé. Assim como muhammad ali.
A vida vai te bater e vai ter bater bem forte, pra ser sincero. Mas se você aguentar e não entregar os pontos, ela nunca vai te nocautear.
Hoje eu vejo que a empresa de materiais cirúrgicos me ensinou a trabalhar sobre pressão. O buffet me ensinou a cuidar de muitas tarefas ao mesmo tempo, sempre ficando atento a tudo. O instituto de pesquisa me ensinou basicamente tudo o que eu sei sobre atendimento e planejamento. E, por mais que nenhum desses lugares tivesse o foco publicitário, hoje eu tenho certeza que minha base profissional veio 100% dali.
A vida não é só céu azul e grama verde, mas até no céu cinza e chão de terra a gente aprende alguma coisa.
Sofra agora e viva o resto da sua vida como campeão. (Muhammad Ali)
P.S.: Eu escrevi esse texto, porque nessa semana eu participei de um curso de mídias online e a mulher que ministrou a aula era meio chatinha, mas ela sabia se vender muito bem. Contou da vida, falou das experiências que passou, mostrou diversas qualidades. E eu fiquei pensando “taí, eu não me vendo tão bem, mas até que eu não sou tão ruim também”. Então eu tô começando a tentar me ver com olhos melhores e, por mais que seja através de uns textos meio autoajuda, tem funcionado. Muito bom, recomendo.