UM TEXTO MEIO POLEMIQUINHO

Segundo dados de uma pesquisa seríssima realizada por mim mesmo agorinha há pouco, foi descoberto que a frase mais repetida pela população brasileira desde sua independência em 1822, é “pra que time você torce?”, seguido bem de perto por “que time é teu? iuheieiueh” (fonte: juro por deus).

E até os meus 6 anos, eu era uma criança bastante indecisa e torcia pra uns 14 times diferentes, então minha resposta pra essas perguntas era basicamente uma lista gigante sem critério nenhum. Isso só mudou no fatídico dia 28/04/1999, quando meu pai resolveu me levar pra assistir meu primeiro jogo de futebol no estádio, no falecido Parque Antártica. O jogo foi um Palmeiras 3 x 2 Vitória suado, com 2 gols do Paulo Nunes. E eu podia jurar que o saudoso Alex Alves também tinha feito um golzinho nessa partida, mas pelo visto ele sequer jogava nessas equipes na época.

o clebão tomando cartão amarelo? nossa mas nem era do feitio dele isso

E foi no meio de gritos como UH TERERÊ e OLELÊ OLALÁ PAULO NUNES VEM AÍ E O BICHO VAI PEGAR que eu virei palmeirense de coração. E graças àquele jogo, de repente eu vi minha vida ficando muito mais fácil em alguns quesitos. Por exemplo, quando eu vou na padaria agora, o diálogo que antes envolvia um momento de incerteza por conta da minha falta de time, virou um simples:

- e aí, corinthiano, vai levar o quê hoje?
- aqui é parmera, mestre haha! me vê 6 pães bem branquinhos, vai

Ou quando eu preciso pegar um táxi, a conversa segue mais ou menos assim:

- ah, mas tu é são-paulino né fala aí
- que isso, meu poligonauta, aqui é verdão rsrs! mas nem entendo muito não

Deus me livre ficar puxando papo com taxista.

euzinho quando o taxista pergunta meu time

O problema é que nem todas as perguntas da vida a gente resolve indo no estádio e assistindo um futebolzinho. Por exemplo quando me perguntam sobre o meu signo, eu ainda não sei como reagir muito bem. Meu amigo, às vezes eu tenho dificuldade de lembrar meu nome do meio, você tá doidjo de achar que eu vou saber meu signo de cor. E mesmo se eu soubesse, não entendo nada disso, não sei quais os poderzinhos de cada um. Então, faz assim me coloca um signo qualquer que esteja numa fase da lua boa pra dormir bastante que eu aceito.

aiiiin mas como assim você não sabe seu signo? isso é muito coisa de libriano mesmo

E, mesmo assim, eu preferia que me perguntassem um bilhão de vezes qual o meu signo, do que quando chegam pra mim e lançam aquelas 9 palavrinhas que parecem despretensiosas, mas tem o poder de acabar com qualquer amizade: “ah beleza, mas e aí qual a sua religião?”.

Rapaz, que agonia que me dá, vocês não tem noção. O problema não é nem a pergunta em si, mas sim a minha resposta, porque eu simplesmente não tenho religião.

Aaaah, mas então você é ateu

Putz, não sou não. É meio difícil de explicar, mas eu sinto que pra ser ateu você precisa acreditar que não existe um deus e eu basicamente não me importo mesmo se existe ou não.

Opaaa, então você é agnóstico fala aí

Pô, não sou. Agnóstico é aquele tipo de pessoa que acha que ainda não é possível dizer se existe ou não uma divindade etc, eu meio que só não ligo mesmo.

Ráááá, claramente você é…

Não. Desculpa, mas não. Eu demorei uns anos, mas eu finalmente descobri um jeito de explicar minha relação com a religião e, como quase tudo na minha vida, vai ser na base de uma analogia com futebol. Presta atenção ó: sabe aquelas pessoas que você pergunta “pra que time você torce?” e a pessoa fala “nenhum”? E aí, você emenda um “haha ah mas pelo menos você simpatiza com algum, né?” e recebe um “não”. Pra fechar, você ainda tenta uma última cartada “mas pra seleção tu torce, não é possível” e vem o cheque-mate “pior que não, eu nem sou de acompanhar os campeonatos”. Taí, olha que coisa maravilhosa.

me desculpa, mas eu não acompanho o campeonato das religiões

Pra não dizer que não, eu até já tentei dar uma chance e estudar um cadinho de algumas, mas isso definitivamente não é pra mim. Sinceramente, eu não sei nem diferenciar uma crença da outra. Mas antes de qualquer coisa, quero deixar claro que acho bem baita quem tem religião e segue sua fé sem ficar interferindo na vida dos outros, vai que vai!

E pra terminar esse texto que eu nem lembro porque comecei a escrever, vou lançar um bate-bola jogo rápido que às vezes, quando eu estou tomando banho, eu imagino a Marília Gabriela fazendo comigo:

Acredita em alguma coisa divina/energias/criaturas místicas?

Te falar que às vezes eu não acredito nem em mim mesmo, então não.

O que vem depois da morte?

Pra quem morre nada né, pros outros é vida que segue e bola que rola.

Qual o sentido da vida?

Pra frente (ueihei essa aí eu peguei do emicida, porque eu sou muito #raps).

Não tem medo de estar decepcionando deus e ele não te aceitar lá em cima?

Primeiro que isso aqui não é chapéu seletor do harry potter pra eu ficar pedindo pra entrar no céu não e segundo que ele tá vendo as coisas boas que eu faço (troco o rolo de papel higiênico quando acaba na minha vez), então tá tranquilo.

inferno não inferno não inferno não
Deus ou diabo?

Sai fora meu, eu que não vou ficar escolhendo entre eles não, quando eu morrer, eles que me disputem #douvaloraquemdávalor ;)*

*Sim, eu terminei o texto com uma frase de piriguete, c’est la vie.

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