UM TEXTO SOBRE A VIDA E SOBRE A CHAPE

Às vezes, a gente acha que a vida é injusta, é ingrata, é canalha. Você batalha, luta, até conquista, mas ela vai e tira tudo de você de uma hora pra outra, sem aviso prévio. É seco, dói, o coração aperta, o peito esvazia, falta força. Você quer falar, as palavras somem. Quer gritar, mas como com esse nó na garganta? Quer chorar, mas a desgramada da vida seca as lágrimas.

Nos últimos dias, meus olhos passaram mais tempo marejados do que secos. Eu não entendo a morte, mas pra falar a verdade, nem quero entender. Pensar nela é atraso, é andar pra trás. Mas queria entender qual o critério dela, sabe? Quando a gente lê um livro bom, a última coisa que a gente quer é que ele chegue o final. E a Chape é um baita dum livro. É o time mais gente como a gente que tem, aquele que cumpre cada passo da jornada do heroi e te mostra que é possível ir mais longe. Então não cai a ficha de que a morte foi lá e rasgou as melhores páginas que tinham.

Injusta, ingrata e canalha é unicamente a morte. A vida é maravilhosa e a gente tem mais é que carpe cada diem com vontade. Aproveitar cada momento mesmo, até aqueles bem pequenininhos, com quem a gente gosta, com quem a gente só conhece e com quem a gente não faz nem ideia de quem seja. Demonstrar, exclusivamente, o que a gente tem de melhor pra todo mundo. E quando der saudade, lembrar que pelo menos a morte não tem acesso às páginas que já foram, então a gente pode ver e rever o quanto quiser aquele acesso da série D pra C, da C pra B e da B pra A. Assistir às partidas da sulamericana até aquela defesa nos acréscimos. Ficar vendo as goleadas que eles já aplicaram em times “grandes”. E olhar com os olhos encharcados aquela comemoração no vestiário que arrepia cada centímetro do corpo.

Por isso eu digo: não vale a pena perder tempo com dirigente de futebol egoísta e com a boca maior que o coração. Não vale a pena se estressar com página de “jornalismo” que tem a catraca livre, mas deveria ter a matraca fechada. Não vale perder sequer um minuto com uma instituição que acha que o regulamento do seu campeonato é mais precioso do que 71 vidas. Não vale a pena nem dar atenção a um presidente tão pequeno que acha que a vaia é maior que o luto. Esses aí a gente janta com farofa, não vamos dar atenção a eles não.

O que vale nesse momento é abraçar com todas as forças a dona Alaíde, mãe do goleiro Danilo, que é uma mulher do tamanho do talento do filho. E também abraçar o senhor Osmar, valente pai do zagueiro Filipe, que não abaixa a cabeça e mantem a mesma postura de xerife que seu filho tinha em campo. E vale muito abraçar também qualquer familiar e amigo de qualquer um naquele avião, um abraço quente e longo. Por fim, vale abraçar também a torcida do atlético nacional de medellin e ser abraçado por eles também. Todos estes são GIGANTES.

#ForçaChape e que o espírito do Condá nos proteja.