Qual o problema com a gestão Dória?

As críticas que vêm sendo feitas ao à gestão Dória abrem uma boa oportunidade para uma conversa sobre a função do Estado, separando dogmas da esquerda de questões fundamentais para preservar o bem comum.

Ao misturar uma visão inflexível e já superada pela realidade junto com o debate sobre a importância de preservar o interesse público o que se está fazendo é afastar qualquer pessoa que já esteja farta de posições teóricas que não se desdobram em melhor qualidade de vida.

A visão de que o estado deve ser o provedor de todas as respostas está ligada à confusão entre os conceitos de “público” e “estatal”. Essa concepção presume que só aquilo que foi gerado pelo estado é que é público. O extremo disso é aceitar que somente quando o governo tiver todas as condições é que serão resolvidos os problemas coletivos, ainda que haja na sociedade civil e no setor privado condições de colaborar.

Questionar isso não é, nem de longe, defender o Estado Mínimo, como poderia parecer há um século. Há novos paradigmas para compreender a relação entre Estado, cidadania e setor privado: a cooperação e a corresponsabilização entre todos os setores.

Pode-se olhar para experiências consolidadas como a política na Noruega (http://bit.ly/2eEeQvc) e, principalmente, para os laboratórios de governo que estão sendo criados, com destaque para a América Latina (Chile, Uruguay, SantaFe, Nariño).

O que está por trás destes experimentos é o reconhecimento de que o governo não tem porque ser, sozinho, responsável por criar e oferecer todas as respostas. E nem deve transferir suas responsabilidades para o setor privado. Um Estado que mobiliza e “aprende” (http://bit.ly/2pUx8La).

Pautado pelo interesse público, o governo deve estimular a criatividade, o conhecimento e os recursos que são abundantes fora e dentro do Estado para cumprir sua função. “Público”, nas palavras de Bernardo Toro, é aquilo que interessa à sociedade para que todos tenham vida digna.

A crítica que precisa ser feita, com ênfase, à gestão Dória é para a falta de transparência não somente sobre os valores e condições das doações realizadas mas sobre como atendem ao interesse público e sustentam uma visão estratégica para a cidade, para além da conjuntura. Qual a visão de cidade que está sendo negociada a portas fechadas e o que vai restar após o mandato? Bens públicos ou apenas as glórias particulares?

Apenas como exemplo, Medellin, na Colombia, favoreceu empresas para atuarem na cidade mediante a contrapartida de transferir conhecimento e tecnologias para o setor público, e oferecer oportunidades para empregos de maior valor agregado. Em duas décadas, passou de “cidade mais violenta” para receber prêmios de cidade mais inovadora do mundo.

E São Paulo, para onde caminha?

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