Meu voto na Comissão do Impeachment

Depois das polêmicas após a decisão na Comissão do Impeachment, fiquei me perguntando: e se eu integrasse a comissão que julga o impeachment, como eu votaria?

Quer saber?
Não sei. Simplesmente, não sei.

Até hoje não consegui conjugar todos os elementos a ponto de ter segurança (o impeachment é um julgamento político-jurídico). Sei que há elementos jurídicos e políticos que justifiquem o impeachment, mas não consigo avaliar se será melhor para a Política do Brasil (não do governo) retirar a Dilma assim. 
Não sei mesmo (e peço respeito por isso).

E como alguem que sabe não saber, compartilho as minhas dúvidas:

1. Do meu ponto de vista, há elementos jurídicos que permitem o impeachment e eu não tenho dúvida disso. Mas não dá pra ser legalista ao julgar um presidente. Há outros fatores que exigem responsabilidade.
2. Um governo Michel temer é uma ideia horrorosa mas o PT já queimou o cartucho do “ruim sem ele pior sem ele” na campanha de 2014. Já há margem pra dúvida quanto ao “pior que tá não fica”.
3. Um governo Temer de 2 anos poderia até servir para validar o discurso petista de que só o PT leva à salvação (ou que ele é melhor até para fazer retrocessos) 
4. Se temer assumir a presidência, ele terá imunidade garantida pela Constituição com relação aos fatos anteiores ao cargo. Ele nem precisaria abafar a Lava Jato para se livrar (mas é claro que ele vai)
5. As pedaladas não são um mal em si (apesar de serem ilícitas), mas elas revelam o grau de irresponsabilidade do governante. E neste aspecto Dilma não pode dizer que o que ela faz “já era feito antes”. Não era não! 
4. Dilma nos expôs a um risco irresponsável ao acentuar àquele nível as manobras fiscais e agravou a situação cujas consequências vamos seguir sentido por alguns anos. E poderia ter sido pior (imaginem se o Congresso não aprova a alteração orçamentária, nos últimos minutos de 2015
5. Putz, um julgamento de corrupção feito por uma maioria corrupta como o Congresso Nacional? Que boa intenção podem ter eles? Querem cuidar do Brasil?
6. Imaginem quantos votos Dilma levou ao enganar eleitores com o discurso cínico de que as críticas à insegurança financeira era coisa “dos pessimistas”, porque ela podia mascarar os números? É democrático isso?
7. Imaginem quantos votos Dilma tirou dos adversários ao alardear que eles reduziriam benefícios, direitos e garantias sociais como ela faz hoje, porque ela podia mascarar os número? É justo e democrático?
8. E pensar que Dilma vendeu esperança pra um monte de gente oferecendo algo que ela, melhor que ninguem, sabia que não tinha pra dar? É justo?
8. Nâo tenho dúvidas de que o impeachment vai arrefecer o vigor da sociedade no apoio à abetura dos bueiros da política brasileira. Ninguem aguenta tanto mau cheiro por tanto tampo e nós já estamos cansados e desenados: qualquer alegria aparente ver nos envolver. 
9. Dilma e Temer, PT e PMDB são faces da mesma moeda. Governaram juntos por todos estes anos, corroeram juntos as estruturas do Estado brasileiro em busca de sobrevivência e poder. Trataram o Estado como um pertence e repartiram com quem se vendesse em troca de votos. Não há como um ser a maldição e outro a salvação. Eles são coautores de tudo o que estamos passando hoje.
10. Como deixar seguir um governo do PT ou do PMDB que usou argumentos ideológicos para humilhar e ridicularizar defensores de direitos humanos e do meio ambiente quando o argumento verdadeiro era propina, como em Belo Monte e Copa do Mundo? 
11. Como achar que seria diferente num governo Temer se a intimidade dele com os setores mais atrasados da política é quase pornográfica? 
12. Como apoiar qualquer integrante desta chapa de acentuou o ódio como matéria prima da política, usou mentiras e recursos fraudulentos para chegar onde está?

Olha, tenho muitas dúvidas mais sobre o impeachment mas tenho uma grande certeza maior: nenhum resultado deste julgamento, qualquer que seja, vai tirar a gente desta merda porque nenhum resultado tem a menor chance de dar orgulho para a sociedade, de fortalecer uma visão de país com solidariedade e respeito à democracia.