Uma operação qualquer.


O fraco brilho do neon restante era entrecortado por rápidos flashes,com a ocasional sombra móvel.Um profundo cheiro de álcool dominava o ambiente,o chão escorregadio e grudento de fluidos mixados,a batalha estava em seus momentos finais.

Horas antes antes na delegacia:

-Aquele bar é uma cagada.Eu falei para o Deilton que ia dar merda aquilo,já fechou o circulo da bandidagem alí.

-É aquela merda chefia,os caras fazem merda a gente tem que limpar e ainda leva a culpa pela cagada.Deixa eles se foderem,quando explodir pau no cú do Deilton.Quem manda deixar?

-Foda é que o comando vai descobrir.E aí é nosso cú que vai fazer bico.

-Mas sem mandado vai fazer como zé?

-Aquele ganso lá?O Lênin,parou de piar não parou?

-Taca ele no fogo então?

Zé dá de ombros.

-É só ele chamar a gente e sair vazado.

-Hoje?

-Hoje.

Pri Pri

O rádio apita

-E aí caraí.

Pri

- — — — — — — — — — —

Pri

- — — — — — — — — — — — -

Pri

-Tô entendendo porra nenhuma.

Pri

-E — — -ra?

Pri

-Tá livre hoje?

Pri

-Tô — — — — — — — — -

Pri

Tem como ir no gato preto e fazer uma denuncia anônima?

Pri

— — — — — — 8h?

Pri

-Show


-Dênis?

-…

-Chamar o cagão e o bigode?

-Acho que só esses mesmo zé.Mais que isso vai dar rolo.

-Eu vou buscar as coisas ,que hoje o pau vai comer.


-E aí zé?

-Tranquilo.Quando encher é aí que o bicho pega.

-Mas,se segura a bronca ainda?

-Vai dizer que alguém não veio?

-O sujeito não atende.

-Olha,não tem por onde correr.Se der treta,não tem gente o suficiente para segurar.

Uma confusão começa no salão.

Zé eleva as sobrancelhas,um homem tem que fazer o que um homem tem que fazer.

Pessoas se apertavam contra as paredes do corredor como se tentando escorregar incógnitas por uma porta secundária que não existia.

O brilho roseado do neon começava a dominar corredor quando o primeiro tiro ecoou,perpassando os tímpanos como uma agulha.

E então pânico,pessoas tentando desesperadamente encontrar segurança.A dos vivos,ocasionalmente a dos mortos,comumente a da liberdade,jamais a da cadeia.

Zé chega atrasado no salão e saca sua arma.

Mas Zé atirou em Zé primeiro.

Zé morreu sem amigos,sem glória.

Segunda feira,o gato preto reabria as portas.

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