
Doces ou Travessuras?
Seleção pode ser prejudicada com o excesso de polidez e a falta de lisura na descrição da vaga durante a entrevista de emprego
“Fazem-se promessas em descrições de trabalho e em entrevistas de emprego, mas não as mantêm.” — Murat Mutlu
Muitas entrevistas de emprego questionam o postulante sobre quais decisões tomaria diante de determinados casos no trabalho. Interessante como, nessas entrevistas, a maioria considera a situação ideal, como se o ambiente, as pessoas, a verba, tudo estivesse a favor do trabalho a ser realizado.
Então o profissional é contratado e descobre um contexto bem diferente do que foi considerado na entrevista: ambiente antiquado, time que não joga a favor, falta de verba, entre outros.
Parece que a tática é: se o entrevistado sabe o que fazer na melhor situação, obviamente consegue dar um passo atrás e se virar em uma condição menos favorável.
Fosse no mundo da bola, como selecionar o melhor jogador para jogar em campo ruim, entre companheiros despreparados e sem condições mínimas para se divulgar o trabalho ou vender ingressos?
Além de identificar previamente seus problemas internos mais evidentes e suas limitações naturais, o desafio para o contratante é esclarecer, já na entrevista, o que se espera do interessado em ocupar a vaga quando ele for confrontado com esses problemas — e não vender a ilusão de uma “oportunidade perfeita”.
As entrevistas podem ser mais sinceras, honestas e, assim, próximas da realidade. A chance de selecionar o profissional mais preparado também aumenta, afinal há os que rendem melhor em lugares mais desafiadores ou selvagens.
Este texto foi publicado em 2014 no livro Torniquato e reproduzido aqui com pequenas alterações