Eu vou votar no Haddad

Ele não é um mau prefeito

Sinceramente, pra começar: não acho que Marta, Doria ou Erundina seriam péssimos e horríveis como prefeitos da cidade. Ao lado do Haddad, são quatro opções razoáveis dentro do conjunto disponível.

Veja, ainda que não tenham meu voto, é preciso ir além do nosso amado e querido preto e branco e do nosso belo e perfeito universo particular de convicções pra reconhecer que as diferenças entre eles e o Haddad não são abismais nem chocantes.

Tirando as divergências públicas e notórias (redução de velocidade, Uber, ciclofaixas, corredor de ônibus etc.), do ponto de vista PROGRAMÁTICO, não sei como, se eleitos, eles poderiam destruir a cidade como Maluf, Pitta, Serra e Kassab já destruíram antes, ou como Russomano ou Major Olímpio certamente destruiriam.

Talvez os maiores problemas com os quatro candidatos principais sejam os indiretos, de ordem política e partidária, e essa carta na nossa mão é hoje o melhor argumento que temos contra eles no baralho — uma carta totalmente válida, diga-se.

Conversando com amigos antipetistas, de uma forma ou de outra eles reconhecem que o Haddad é um bom prefeito e que seu maior defeito é ser do PT. E quem é ex-PT ainda pode estar com aquela sensação de traição, de quem jurou nunca mais votar no partido depois da corrupção reincidente e agora se vê no dilema de votar ou não no Haddad.

O partido do candidato deve importar na decisão, sim, porém esse mesmo critério aplicado a todos eles invalidaria qualquer decisão racional, pois ou os partidos estão envolvidos em denúncias de corrupção, ou o candidato trocou de partido conforme a conveniência.

Neste último caso, é curioso notar que, nestas eleições, não existe resposta pra questão de troca ou permanência no partido: o candidato ou é acusado de ter permanecido em determinado partido, apesar dos esquemas de corrupção, ou erra por ter trocado de partido e se mostrado infiel as suas posições políticas. Claro que o caso mais bizarro é o da Marta. O PSDB rachado de Doria é outro exemplo da batata quente que é a questão partidária na nossa política, em todos os níveis.

Se ultrapassarmos a barreira do partido e olharmos pra cidade em que vivemos nos últimos quatro anos, é difícil não reconhecer que as mudanças foram significativas e, em sua maioria, benéficas pra população.

Duvido que qualquer candidato eleito vá andar pra trás em avanços reais de mobilidade como ciclofaixas, corredores de ônibus e redução de velocidade. Seria um tiro no pé.

Todas essas iniciativas podem ser melhoradas, assim como todas as críticas pertinentes que o Haddad recebeu por elas não as invalidam por completo.

Normalmente se referem a planejamento, execução e comunicação, o que tende a ser melhorado com o tempo em qualquer administração que resolve fazer alguma coisa pela primeira vez (e em época de crise). E se formos esperar que qualquer projeto desse porte seja perfeito desde o princípio, eles nunca se concretizariam (como não se concretizaram antes do Haddad).

Me mudei pra São Paulo em 2000, peguei a cidade depredada por Pitta. Vi a Marta fazer o que podia ser feito, e errar onde não podia ter errado, pra no fim entregar uma cidade bem melhor do que pegou.

Infelizmente, quem assumiu depois dela foi o Serra, totalmente desinteressado na cidade: queria só o cargo e a dose disponível de sensação de poder, no que é viciado.

Kassab foi o prefeito mais inepto que São Paulo já viu em tempos recentes. Sentou a bunda na cadeira e não fez nada decente, só coisas estúpidas. A Lei Cidade Limpa foi a única coisa boa, só que precisa ser entendida como uma tacada estratégica seguindo este raciocínio: “Eu não vou fazer mais nada além, mas se é preciso fazer uma coisa só, que seja a mais facilmente perceptível”. Veja bem…

Hoje em dia, pra quem vive na cidade, as carências e as oportunidade pra melhorar não são segredos. Todo mundo sabe. Há muito pra fazer e melhorar, e tudo meio que passa pelo óbvio do senso comum: educação, saúde, transporte, segurança etc., nem sempre nessa ordem.

Entre Haddad, Doria, Marta e Erundida não há uma bandeira inédita ou uma proposta de grande ruptura, algo destoante da média. Qualquer um tende a ser um bom prefeito e pode melhorar a cidade.

Só não dá pra votar no Russomano, né?

Pra mim, Haddad já é um bom prefeito, e tudo o que precisa melhorar na cidade ele ajudou a melhorar bastante nos últimos quatro anos, então aposto nele como a melhor opção pra cidade continuar melhorando acima da média (dado o histórico).

Mais 4 anos de Haddad, por favor!


Texto revisado.