Localização da estrela KIC 8462852 (via Wikipédia)

Há algo estranho no céu

“Elimine o impossível, e o que restar, por mais improvável que pareça, deve ser verdade.” — Sherlock Holmes

O telescópio espacial Kepler foi lançado pela NASA em 2009. Um de seus objetivos é mapear sistemas solares com planetas parecidos com a Terra, no que chamam de zona habitável: com tamanhos, órbitas e distâncias parecidos com a Terra e os outros planetas do Sistema Solar.

Apesar de ter quebrado em 2012 e sua capacidade diminuído drasticamente, durante quatro anos o Kepler coletou informações de 150 mil estrelas, procurando sinais desse tipo de planeta. Não é tão difícil como possa parecer: ao olhar a luz emitida pela estrela, o telescópio registra alterações de luminosidade, que, se diminuem ou aumentam, apontam normalmente para o provável trânsito de algo na frente dessa estrela (um planeta passando, por exemplo).

Engenheiros da NASA trabalhando no Kepler (Wikimedia Commons)

Foram mapeados pouco mais de mil exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar) dentro da zona habitável. Desses, uns 20% são mais ou menos do tamanho da Terra. Pra se ter uma ideia, projetando esses números pra toda a Via Láctea, devem existir uns 40 bilhões de planetas dentro de uma zona habitável.

Das 150 mil estrelas analisadas, uma é bizarra, totalmente estranha e isso intriga os especialistas. Seu nome é KIC 8462852. Ela fica entre as constelações de Cisne e Lira, distante 1.500 anos-luz. Algo parece orbitar essa estrela, mas, pelo que dizem os cientistas, aparentemente não se trata de um planeta nem de meteoros (as explicações mais óbvias). O padrão de luz peculiar indica ser um grande conjunto de coisas que circulam enfileiradas em torno da estrela.

Eliminadas as explicações naturais — e nenhuma delas conseguiu justificar esse estranho padrão ainda — abre-se o espaço pra especulações. E a especulação mais incrível que surgiu é: esse grande conjunto pode ser a evidência de que uma megaestrutura alienígena esteja capturando energia da estrela pra alimentar uma civilização inteligente naquelas redondezas.

Muito louco, né?

O astrônomo Nikolai Kardashev propôs, na década de 60, uma escala — hoje conhecida como Escala de Kardashev — pra medir os níveis de desenvolvimento tecnológico das civilizações que habitam o Universo (por enquanto só conhecemos uma que, coincidentemente, é a nossa — veja só!).

Nessa escala, uma civilização Tipo I extrai toda a energia disponível do seu próprio planeta. A Tipo II seria capaz de usar toda a energia de uma estrela. Nós estamos chegando à do Tipo I, pois ainda não aproveitamos toda a energia da Terra e estamos longe de ser Tipo II, pois desperdiçamos praticamente toda energia da nossa estrela, o Sol (quem sabe um dia?). Uma civilização do Tipo III seria a mais evoluída, capaz de utilizar toda a energia de uma galáxia!

Resumo: especula-se que o Kepler possa ter flagrado evidências de uma civilização do Tipo II a “meros” 1.500 anos-luz de nós, o que significaria que, enquanto a humanidade passava pelo século VI, alienígenas na nossa vizinhança já estariam em um estado tecnológico muito mais avançado (o qual nem alcançamos ainda).

Claro que, como cético “profissional”, duvido muito que seja esse o caso e ainda veremos uma boa explicação natural pro fenômeno.

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Texto revisado em 24/10/2015.