O “Argumento Uber”

Nós brasileiros precisamos nos preparar para os movimentos do poder, que vai insistir para deixarmos tudo como está

Neste novo século, assistiremos com certa frequência a uma novelinha bem ridícula mas trágica: monopólios e grupos estabelecidos no poder e que se ancoram no atraso do país levantando o escudo de “isso não tá regulamentado, logo é ilegal e pirata”.

Esse é o “argumento Uber”.

Será usado sempre na tentativa de barrar a inovação e desacelerar o próprio andar natural da carruagem da civilização humana (que anda para frente e não dá ré, caso isso não esteja claro).

Enquanto ainda acompanhamos a repercussão da chegada do Uber (aqui, aqui e aqui), parece que o novo presidente da Vivo/Telefônica, o israelense Amos Genish, já aprendeu como as coisas funcionam neste paraíso tropical…

Teles temem avanço do WhatsApp

O presidente da Telefônica Brasil, Amos Genish, alertou que o aplicativo não tem regras fiscais, jurídicas e regulatórias, reduzindo a possibilidade de monitoramento das mensagens, o que abriria espaço para o uso em atividades ilegais, segundo ele afirmou. “O fato de existir uma operadora trabalhando no Brasil sem licença é um problema”, disse o executivo, ao apontar que isso pode abrir precedentes para a chegada de outras empresas semelhantes.
[…]
“Não vai acontecer nunca uma parceria com o Whatsapp e gostaria que outras operadoras acordassem rápido para não cooperar com uma empresa que vai contra as leis brasileiras”, afirmou Amos Genish. A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, tem evitado negociar ofertas ligadas ao Whatsapp por conta de uma questão de princípios, acrescentou. “O fato de trabalharem contra as leis brasileiras é pirataria pura e uma parceria com eles não combina com a nossa lógica”, afirmou.

Não vamos nós aqui especular agora o que ele quis dizer com “a possibilidade de monitoramento das mensagens” (ué, a Vivo monitora as mensagens de seus clientes?), mas dá para ter uma ideia da quantidade de chorume que ouviremos a partir daqui sempre que um serviço novo e melhor substituir um velho e pior no Brasil.

Isso já resvala no transporte público e nas telecomunicações, mas podem anotar e aguardar: vai pegar também energia elétrica, cartórios, bancos, alimentação etc. e, finalmente, a política (não necessariamente nessa ordem).

Quer outro exemplo?

Contra concorrência desleal, emissoras de TV e operadoras por assinatura pedem regulação do Netflix

Nos próximos capítulos, portanto, esse povinho escroto vai começar a dizer que vários problemas prementes não podem ser resolvidos com mudanças e inovações óbvias pois ninguém parou para lembrar e pensar neles, os criadores ou exploradores desses problemas.

Só posso dizer uma coisa:

Vão Tomar No Cu.


Texto revisado em 07/08/2015.

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