Virginianxs que me perdoem, mas bagunça é fundamental

“Não repara a bagunça rs”. Mas eu vim por causa dela!

Bagunceiros são do amô.

Quando sou visita na casa/apartamento/cafofo de alguém, gosto que tenha uma desorganização sincera. Não quero casa cheirando a Veja Multiuso e decoração no seu devido lugar. Quero encontrar incenso apagado, restos no cinzeiro, marcas de boca nas taças, rolhas pela mesa, brincos perdidos, pontas de baseados esquecidos na varanda. Gosto de entrar e sentir que já havia história antes de eu chegar. Não quero desconfiar que a minha vinda seja o motivo da alegria. Quero ter certeza de que ela já morava ali.

Nada contra os organizados — tenho até amigos que são. Venho apenas defender a classe dos meus: bagunceiros, uní-vos!

Uma casa com resquícios da noite anterior me parece mais leve. Resquícios pontuais, eu digo. Quase easter eggs. E pode chegar com blazer e jeans preto, ou regata com chinelo; num rolê caseiro desses, todo mundo está com o look certo. E é disso que eu gosto.

Experimentem a não-arrumação das camas! Sou adepto e co-fundador.(Minha mãe vai dizer que sou preguiçoso e que esse texto é pra tentar me justificar. Talvez. Ela é virginiana.) Não só porque não vejo sentido, sabendo que vou dormir no fim do dia de novo. Mas porque gosto da intimidade de ver o emaranhado dos lençóis de alguém. E quero que sintam o mesmo. É quase romântico e erótico e sereno ao mesmo tempo, mas antes disso, é aconchegante. Dá vontade de deitar quentinho exatamente onde a pessoa estava. De sentir no travesseiro o cheiro do cabelo dela. Façam isso qualquer dia. É maravilhoso.

Uma caminha do Google dizendo: VEM.

Acho que a questão é que rola uma paranoia de não deixar que vejam sua baguncinha. Tipo, NUNCA. Ninguém pode saber que você deixa marca de dedo na mesa de vidro, que deixa chinelo e pacote de biscoito (ok, bolacha) espalhado pela casa, ou que não guarda todos os controles juntos. É proibido deixar que descubram que sua casa é uma casa normal, sujeita à sujeira. E todo mundo esconde esse mesmo segredo.

Eu mesmo já protagonizei o clássico desespero de pentear até o tapete pra receber visita. Mostra um empenho, um carinho, é verdade. Mas cuidado. Às vezes não mostra você. Acho que um bom teste é o esforço pra ter assunto com o visitante. Estou inventando isso agora, vamos ver se faz sentido:

A casa está tão intacta, você está tão bem vestido que a única pergunta que resta depois do “Tudo bom?” é “pegou trânsito?”. Aí comentam sobre o trajeto, se veio direto do trabalho… Quase um formulário de hostel. Agora, quando a casa não está intacta e você está com uma roupa qualquer, há fortíssimas chances de o primeiro assunto ser “Gente, não repara na bagunça, ontem vieram uns amigos aqui”, “Aé? Que legal. Nossa, teve muita cerveja pelo visto kk”, “Sim kk, teve uma hora que o Bruno…[continua e todo mundo é mais feliz]”.

Olha aí.

Minha simulação deu super certo. Pra mim faz total sentido.

Deixo provado, então, diante do Ministério da Internet que minha tese é verdadeira. Doa a quem doer.

*NOTA: Lavem só a louça, gente. Louça fedorenta não é legal. Chão com poeira e areia também não. Na dúvida, espalhem filhotes de cachorro pela casa.