Feminista cansada.

“não deixe os boys te irritarem”

(texto sem qualquer tipo de rascunho e pretensão de parecer bonito, então perdoa as divagações e possível falta de linearidade, só quero algo bem livre)

Pois bem, feminista cansada, fiz o movimento contrário e escolhi o título antes do texto porque na real ele resume bem o que anda acontecendo comigo e com conhecidas esses últimos tempos. E um bom título é aquele que resume tudo.

obs: eu disse tudo isso com base na minha experiência de mulher cis hetero com homens cis hetero, então ainda sim esse texto é muito limitado, mas ele serve mais como um desabafo meu do que qualquer outra coisa mais profunda.

(agora vem uma linha de raciocínio meio temporal, meio aleatória, mas vamos lá)

Adentrando no mundo feminista, você começa a ler mil textos sobre o assunto, aprende a ver machismo nas coisas, mesmo que de maneira muito superficial ainda, mas ainda mantém aquele resquício de machismo em certos aspectos muito pelo fato de seu feminismo ser muito superficial. Geralmente esse início é um pouco isolado, então não tem muito com quem conversar, aí você procura mais textos e vai lendo. Como somos um ser social, convivemos com pessoas, somos mulheres e convivemos com homens. Até aí nada de absurdo, né? Porém, existe uma coisa que você adquire nessa vida: problematização. Problematizar algumas vezes é usado num sentido ruim, mas é basicamente o momento em que você começa a questionar tudo a sua volta. Ok, ainda deve estar meio confuso, respira e vamo junto. Voltando ao se relacionar com homens, aí tem seus amigos, crush e muitas outras relações, agora junta com o ato de problematizar e pronto, estamos perto de onde quero chegar. Começamos a questionar as atitudes de nossos amigos&cia, começamos a perceber o comportamento problemático deles e vem o questionamento: devemos falar ou não? Ainda estamos no começo desse caminho, então falamos, uns aceitam, outros não, mas no geral as coisas se acalmam. Aí você começa a conversar mais com mulheres feministas, ler mais textos e começa a enxergar o quão profundo é o machismo e como ele está em detalhes que são considerados irrelevantes. Então você volta a rever o comportamento e seu relacionamento com seus amigos&cia e vê que tem muito mais coisa do que pensava, de novo: falar ou não falar? Os que não te ouviram no começo podem ter mudado ou não, conversas acontecem e de novo as coisas dão uma acalmada. Aí de novo você conversa com mais mulheres feministas, lê textos muito mais profundos do movimento etc. Aí de novo você percebe o quão profundo o machismo tá na sociedade, mil questionamentos, soluções ou não, o quão problemático é o comportamento masculino, aí de novo você vê isso nos seus amigos&cia, aí de novo você se pergunta se fala ou não, só que aí você resolve não falar, sabe por quê? Porque você está cansada de dar um “produto” pronto que você batalhou muito para conseguir.

Nós, feministas, apontarmos certos comportamentos para você ver o que é machismo é uma coisa, mas olha, fazer isso o tempo todo é um tanto quanto cansativo e não adianta nada porque você, amigo&cia, continua bem machista. Então por que a gente vai continuar te falando o que é machismo sendo que você não consegue criar nenhuma autonomia (muito por falta de empatia e preguiça por assunto que na realidade não te interessa)para reconhecer os problemas? Você paga de desconstruído, pró-feminismo, mas não sabe como suas amigas se sentem, o que elas pensam de verdade, sabe por quê? Teu comportamento silencia elas, você interrompe, você ignora porque não te interessa e fica puto quando a opinião dela não valida a sua. Quer entrar no movimento, então crie autonomia, leia os textos que a gente leu, aprenda a questionar, CONVERSE com mulheres e não interrompa, deixe ela terminar de falar. O mundo tá parando de girar ao redor de assuntos masculinos, então aprenda que nem tudo que é interessante é masculino, aprenda a ouvir assuntos que giram fora desse âmbito, conheça antes de falar algo, porque na real se sair da sua caixinha e ver que o mundo é muito mais plural você pode gostar muito e se sentir mais livre ainda.

Resumindo: quando uma pessoa feminista tá gritando, tá brava, ou apenas parou de falar com você sobre esses assuntos, ela não tá exagerando, ela não está sendo escrota, ela está cansada de falar a mesma coisa sempre e se sentir como uma pessoa responsável por uma criança para ter que ficar falando o que é certo ou não o tempo todo. Crie autonomia, passe pelos mesmos passos que nós passamos, porque é muita folga querer tudo pronto basicamente porque nada é de fato absorvido. Saia do seu mundo, questione, ouça, converse. Crie empatia por alguém, deixe de ser egoísta.

Basicamente é isso aí, ainda deixei de falar muita coisa, mas fica para próxima se não esse texto vai ficar mais longo ainda.

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