Entrevista com Simone O. Marques, autora de “Triskle” e “Crônicas do Reino do Portal”

Simone O. Marques é pedagoga por formação, Mestre em Educação, começou a carreira de escritora em 2007 e já publicou mais de 30 livros desde então. É muita coisa! Segue, abaixo, minha entrevista com ela.
Vamos lá, eu lembro que conheci o seu trabalho, acho que por volta de 2011 ou 2012, e foi por causa do livro Agridoce. Esse é seu livro mais conhecido?
Simone: Que legal! Eu acredito que meu livro mais conhecido é o Paganus, lançado com o nome de Gênese Pagã em 2008.
Mas Paganus é seu primeiro livro?
Simone: Meu primeiro livro é Triskle, que foi escrito em fevereiro de 2007 e publicado no início de 2008.
Paganus, então, é o seu livro mais conhecido. Qual é a história dele?
Simone: Ele conta a história de três mulheres celtas que eram perseguidas como bruxas em Portugal no século XVII. Elas tem que fugir por aldeias e vilas de Portugal, e são ajudadas por um nobre cristão.
Como é de costume quando as pessoas leem e se apegam a um livro, os leitores já te pediram continuação pro Paganus?
Simone: Então, a história é seguinte
Paganus faz parte de uma saga. Já entendi tudo.
Simone: Eu escrevi Paganus pra ser um prequel de Triskle, o meu primeiro livro, mas que acabou ficando enroscado por uma editora, então, eu escrevi Paganus, que era uma história que se passava 300 anos antes da história original e que não iria interferir diretamente. Aí, o livro foi postado no meu blog e os leitores amaram, então ele foi lançado ao mesmo tempo que Triskle. Ele tinha uma história fechada, mas ficava um vácuo de 300 anos, e isso rendeu mais dois livros, o que acabou se tornando uma trilogia com Paganus, Samhain e Beltane.
Ah, então nem precisaram pedir a continuação que você já estava com o bolo pronto. Tá certo. Paganus foi seu segundo livro publicado então?
Simone: Sim, mas o segundo e o terceiro livros da trilogia só foram lançados anos depois.
E seu livro mais recente é O Lago de Fogo?
Simone: O último, que eu até lancei independente, é O Lago de Fogo sim, além de Triskle, que eu fiz uma edição especial de 10 anos, também independente.
Desde o Paganus, que eu acredito ter sido o livro que te apresentou pro meio literário até O Lago de Fogo, seu livro mais recente, o que você sente que mais mudou na sua escrita?
Simone: Difícil dizer, mas acho que foi a minha velocidade de escrita.
Falando em velocidade, é impressão minha ou você escreve mais de um livro ao mesmo tempo?
Simone: Sim, normalmente escrevo uns três ao mesmo tempo.
Normalmente? E isso é um processo fácil pra você? Eu tô perguntando isso por que eu escrevo também e eu sei que não conseguiria me dedicar a mais de uma história ao mesmo tempo. Então, isso é costume, habilidade, super poder, o que é?
Simone: Bem que eu queria ter o super poder de fazer surgirem mais braços pra eu dar conta de tudo, mas pra mim é fácil, não vou mentir. Eu acho que esse meu jeito meio caótico de ser me ajuda muito nessa hora, por que eu não me deixo estressar com o processo criativo em si.
E você tem um horário preferido pra escrever?
Simone: Eu escrevo melhor na parte da tarde e à noite.
Voltando a falar do Agridoce, não sei por que eu tinha essa convicção de que era o seu livro mais conhecido. Na época que eu conheci Agridoce, eu cheguei a ver um vídeo seu, e lembro que, nesse vídeo, você falava que o Agridoce é um romance com vampiros que você escreveu antes do boom de Crepúsculo. Você acha que deu sorte de os vampiros estarem em alta quando você lançou Agridoce ou você já previa a moda?
Simone: O Agridoce foi escrito em 2008 e lançado na bienal de 2010. Ele era um conto que eu tinha publicado em uma comunidade do extinto Orkut e que os leitores gostaram e pediram que eu estendesse. Então, eu escrevi o livro e não tinha ainda acontecido o boom dos vampiros. Nós tínhamos Anne Rice, e acredito que o André Vianco que vinha lutando no mercado nacional. Eu não escrevo pensando em tendências ou ondas, apenas tinha um conto e daí surgiu o livro. Essa onda de vampiros ajudou por um bom tempo.
Agridoce teve uma continuação, né?
Simone: Sim, ele já teve lançados Cítrico e Etílico. E Elixir, o último livro, já deveria ter sido lançado.
Qual editora que vai lançar o último livro?
Simone: Não sei.
Ah, pensei que não tinha sido lançado por conta de adiamento de lançamento de alguma editora.
Simone: É uma situação bem complicada. Agridoce tinha sido relançado e, então, a editora ia lançar os demais, mas acabou desistindo do selo e eu tive que romper o contrato. Então, agora, os livros estão à procura de uma editora.
Entendi. Tomara que encontre. Você começou a publicar em 2008, numa época que eu acredito que era bem mais difícil pra autores nacionais publicarem livros. Esse cenário pros autores iniciantes é um tanto diferente agora. Você acha que mudou muito daquela época pra hoje?
Simone: É bem complicado, mas hoje está pior. Os leitores, em 2008, eram mais abertos para a nova literatura nacional. Hoje, o que facilita esse processo são as diferentes plataformas de publicação, mas ao mesmo tempo, elas criaram leitores mais relutantes em experimentar. São muitos títulos, muitas coisas boas, mas muitas ruins também e isso meio que criou uma desconfiança maior. E com as editoras, continua a mesma coisa. Elas preferem títulos estrangeiros que já vem vendidos, ou livros de autores que já causaram de alguma maneira e já construíram números.
Então, se você pudesse escolher entre o momento literário de agora e o de 2008, você ficaria com o de 2008?
Simone: Olha, em muitos aspectos, sim.
É verdade que você deixou de ser professora pra escrever?
Simone: Sim.
Se arrepende?
Simone: Não. Embora eu ame dar aulas.
Você escreve fantasia. Você gosta da jornada do heroi?
Simone: Quando eu comecei a escrever as minhas histórias, eu não tinha a menor ideia do que era a jornada do heroi, sério. Eu só descobri ela muitos anos depois e percebi que é algo inevitável. Mesmo que você tente fugir dos clichês típicos e das fórmulas, o autor de fantasia tem que passar pela jornada e eu aprendi a lidar com ela. Hoje, somos ótimas amigas. Outro dia mesmo, eu li uma entrevista do George Martin e me identifiquei quando ele disse que é um escritor jardineiro. Eu gosto dessa liberdade pra criar e não crio amarras pra mim, gosto de viver sem limites. Não faço escaletas, não tenho fichas de personagens, embora na minha cabeça, eu tenha a linha da história criada, mas não tento enquadrá-la. Gosto dos desafios que os personagens e a trama me oferecem.
Já pensou em escrever um livro que não seja de fantasia?
Simone: Minha trilogia As Filhas de Dana não é uma fantasia, é um romance histórico.
É a do livro Dois Mundos?
Simone: Não, é a do Paganus.
Ah, Dois Mundos é uma distopia.
Simone: Isso, Dois mundos faz parte de uma série que mistura distopia com fantasia.
Pra finalizar, você tem algum conselho pra autores nacionais iniciantes?
Simone: O conselho que eu sempre dou é pra que tenham sempre uma apurada autocrítica e pensem em quem vai ler o seu livro. Não deixem passar algo mais ou menos, deem sempre o seu melhor, prezem pela qualidade do seu material. Escrever, qualquer um pode, mas escrever bem é uma qualidade de quem se preocupa em fazer o melhor. Não copiem histórias famosas, viajem em sua própria imaginação. Sejam autênticos e cuidadosos. E finalmente treinem muito e aprendam sempre.
Simone, muito obrigado pelo seu tempo. Valeu mesmo.
Simone: Imagina, foi muito bom conversar com você e obrigada. Muito legal essa sua iniciativa.
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