Moana

Moana é uma dessas animações tão fantásticas que é difícil saber por onde começar a falar sobre ela. Poderia ser com a tecnologia, como sempre, a Disney utilizou o que há de mais recente no mundo da animação para fazer o longa e isso é evidente nos cabelos, nas tatuagens do Maui, no mar, ah… o mar…

Mas acho que o principal de Moana são seus personagens. Aliás, o principal de Moana é indubitavelmente Moana.

A personagem se sustenta, não precisa ser resgatada, vai atrás do seu caminho, de se encontrar, saber quem é e como ser quem é sem abandonar suas raízes. Moana é forte mas Moana se machuca, Moana é determinada mas Moana chora. Moana é humana e não um estereótipo. Uma, não princesa, filha do chefe com um character design de alguém que realmente vive naquele lugar, de alguém que anda. E por andar estou me referindo sim a como suas canelas, panturrilhas e pés foram feitos. Moana é gente e não boneca.

Uma apreensão antes de ver o filme era se ela seria de alguma maneira eclipsada pelo Maui, se ele seria o grande mentor. E o que vemos é o oposto. Maui é importante como um professor mas não mentor. É emocionante ver que a avó é a grande mentora, sua ligação com o futuro e com o passado e como as mulheres da família se entendem. Difícil descrever o turbilhão de sentimentos que a cena em que a mãe percebe o que Moana pretende e longe de a repreender, sabe que aquilo tem que ser feito, que é quem ela é, que filhos precisam sair do ninho, nos faz sentir. Impossível segurar as lágrimas naquele misto de medo, surpresa e compreensão que em segundos podemos ver no rosto da personagem. Além de bom roteiro entra aí a fantástica animação.

Claro, não podemos ignorar os demais personagens, por ordem de importância, chegamos nele, o incrível Mar. Animadores já conseguiram nos fazer ter empatia por uma inominável paraplaneta (Wall — E) e agora, da mesma forma, nos fazem se apaixonar pelo Mar. E ele sequer precisa de um rosto para ser expressivo.

Maui é…interessante, narcisista e com sérios problemas de auto confiança acaba sendo um bom ajudante mas a história não é dele e no fim ele precisa muito mais de Moana do que ela dele, claro que isso não o impede de roubar algumas cenas, a música mais cativante é a dele. Obviamente é um alívio ver um filme “de princesa Disney” sem um par romântico, onde a amizade é o que sustenta a dinâmica entre os personagens. A representatividade de Moana é inegável não só para meninas polinésias, mas para todas nós.

As referências do filme também são ótimas, de David Bowie a Mad Max, com todos os “easter eggs” que já são esperados de filmes Disney, principalmente dos liderados pela dupla de diretores John Musker e Ron Clements.

Até o alívio cômico do “animalzinho” amigo é diferente do que estávamos acostumados e não é exagerado, é icônico. Hei Hei entrou para um time seleto de melhores/piores companheiros Disney. Com paisagens exuberantes (as vezes é difícil acreditar que é uma animação), músicas empolgantes, roteiro bem trabalhado e pesquisado (basta ver a aceitação dos polinésios, quase o oposto do ocorrido com Lilo e Stich) e músicas maravilhosas ( novamente difícil segurar as lágrimas na cena dos ancestrais) do todo poderoso Lin Manuel Miranda, Moana é imperdível, maravilhoso visualmente e com uma mensagem muito bonita. Ainda vou pensar muito em tudo que esse filme representa.

Claro, ainda falta muito no quesito representatividade e algumas questões podem ser levantadas, mas depois. Vamos celebrar o que Moana tem, já já partimos para o que pode melhorar.

E quem sabe ao final de toda a nossa jornada, possamos todos dizer com certeza que acertamos na tatuagem.

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