// A páscoa e o fabuloso conto do homesick.

Dias desses estava me gabando por não ter tido o famoso “Homesick”. Para aqueles que não sabem ou nunca ouviram falar nessa palavra, “Homesick” é um sentimento muito forte de saudades de casa, normalmente “ataca” quem está longe da família e amigos há muito tempo.

Uma amiga sempre me disse que ao completar 3 meses longe de casa, quando eu finalmente “caísse” na rotina da vida, as coisas começariam a complicar pro meu lado, já que nada mais me causaria tanta euforia e que, aos poucos, a saudade das pequenas coisas de casa invadiria minha paz.

Converso com meus pais quase todos os dias e com meus amigos também, achei que sofreria ao vê-los fazendo coisas sem mim, ao perceber que não faço mais parte daquele círculo, mas, graças aos meus poderes de super-socialização, eu consegui me enturmar muito rápido por aqui, fiz amigos numa rapidez que meu “eu-passado” jamais acreditaria.

Esse sentimento de “eles estão vivendo sem mim” não me atingiu, pelo contrário; eu queria estar com eles, mas entendia a necessidade de não estar e o quanto eu era sortuda por estar aqui.

São Paulo nunca foi meu sonho de criança, já que eu sempre fui uma criança que sonhava WAY TOO HIGH, mas é o polo do grande amor da minha vida: A tecnologia (pelo menos no Brasil), então não tenho como reclamar e dizer que quero voltar pra casa, porque não quero! Mas daria tudo para ter minha mãe aqui comigo.

Eu vim pra São Paulo só, sozinha, sem ninguém, minha mãe não veio pra ficar comigo nem sequer 1 dia. Eu sai do status de “bebê da mamãe” para “se vira aí” em questão de 24 horas, quando a ficha caiu eu dei uma surtada, liguei chorando, disse pra todos os meus amigos que só queria voltar pra casa. Mas ai tudo se estabilizou…

Hoje começa o “feriadão” da páscoa e se eu estivesse em casa acordaria com comida da minha mãe cheirando pela casa inteira, com aquele cafézinho com pão maravilhoso (quanto tempo tem que eu não como pão!), com meu pai assistindo filme e minha mãe sentada no sofá da sala me chamando pra ver algum programa que estava passando na Tv.

A tarde, eu gritaria por comida e a gente inventaria alguma coisa.

Mas tudo o que eu tenho no momento é: “São 10:03, preciso me levantar, tomar banho, descer no supermercado e comprar comida caso eu não queira passar fome o feriado inteiro.”, meu programa pra tarde? Estudar. O aconchego do colo da minha mãe foi substituído pela cama, que cá pra nós não executa muito bem o seu papel…

É, no final das contas, eu só queria estar agora num ônibus em direção à minha cidade, nem que fosse pra passar só os próximos dois dias.

Meu aniversário bate na porta e eu mal posso esperar para o meu maior presente de todos os tempos: Mais uma dose de homesick.

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