Uma homenagem à criança que um dia eu fui

Um dia, me deparei com essa imagem em alguma rede social. Não sei se esta é uma reflexão que muitas pessoas fazem, mas sei que eu sempre fiz. Normalmente, não é uma reflexão que leva a boas conclusões — porque, acredite, sua versão criança sempre tende a ser melhor do que a sua versão adulta -, mas é importante voltar a ela de tempos em tempos, para checar como anda o seu contato com a sua parte mais pura, autêntica e criativa: sua criança interior.

Apesar de todas as mudanças no decorrer das nossas vidas, de tudo o que está contido no verbo “crescer”, de todas as responsabilidades que temos que assumir, e que acabam ocupando a maior parte do nosso tempo, é importante sempre ter presente e trazer pra perto aquela fase da vida em que passávamos a maior parte do tempo brincando: a infância. Pense um pouco e responda: como você era quando criança? O que gostava de fazer? O que você queria ser quando crescesse? Tente relembrar as sua características mais marcantes, os momentos mais especiais (ainda que se tratem de situações corriqueiras), as amizades que você tinha, as festas de família, e qualquer outro detalhezinho aparentemente sem importância, mas que virava algo gigante para você, graças à sua imaginação sem limites!

O psiquiatra suíço Carl Gustave Jung, criador da Psicologia Analítica, escreve sobre o tema da criança interior em seu livro O Desenvolvimento da Personalidade:

Em todo adulto espreita uma criança — uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa. (JUNG, O Desenvolvimento da Personalidade, p. 175).

Essa criança interna nos acompanha por toda a vida e, como parte de nós, precisa ser ouvida. Muitas vezes, a tendência acaba sendo reprimir a criança interior, uma vez que a exigência do mundo é que nos tornemos adultos sérios e maduros, sem nenhum traço que se assemelhe àqueles típicos da infância. No entanto, é necessário salientar que manter a criança interna viva não é sinônimo de imaturidade. Pelo contrário, é extremamente libertador e proporciona uma integração tal que nos permite seguir um caminho muito mais coerente com nossos propósitos mais profundos.

Nosso eu adulto tem tanto a aprender quanto a ensinar ao nosso eu criança, que precisa sim evoluir e caminhar rumo à autonomia e à independência. Ao mesmo tempo, todos carregamos também feridas da infância, que, somadas aos demais aspectos nutritivos, voltados para a criatividade e autenticidade, são, juntos, ampliadores da consciência, ou seja, desdobradores de possibilidades, contribuindo para um modo de ser-no-mundo que vai em direção à auto-realização plena.

Dito isto, eu te pergunto: como está a sua conexão com sua criança interior? Uma boa maneira de começar a exercitar esta reflexão é respondendo à pergunta do início do texto. A criança que você era teria orgulho da pessoa que você é hoje?


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