à domingas guerra, uma singela mamãe/vovó/bisavó

já se passaram nove anos sem sua presença física na Terra. de lá para cá, o toque do carinho e o afeto na pele às vezes faz falta. muitos de nós lembramos o quanto era importante um abraço, um beijo ou o simples ato de desejar bom dia, logo ao vê-la acordar. ao ver os filhos crescidos e bem-aventurados pela vida, já podia levantar mais tarde da cama, espreguiçar-se e sorrir solenemente. os bordados de crochê e tricô já lhe esperavam na cômoda a fim de ganharem um novo desenho. transmitira a serenidade no olhar a todas as gerações em que pôde conhecer. também as energias positivas e doses moderadas de bom comportamento e educação, herdados de berço a todos os familiares. netos e bisnetos que não a conheceram podem imaginar uma pessoa tranquila, como uma margarida ao brotar-se num jardim. no mais ela é hoje só lembrança, de cheiro, de paz, de amor. tudo guardado lá no peito. bem no lado esquerdo.