“asas, pra que te quero”

Se há uma coisa que a sociedade moderna adquiriu ao longo do tempo é a legalidade do termo ‘sociedade do espetáculo’ — proposto pelo filósofo e diretor de cinema, Guy Debord. Para definir o termo, ele aponta que o espetáculo se dá na multiplicação de ícones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa, mas também nos hábitos de consumo das pessoas. Nessa tal sociedade, estas pessoas se tornam representações daquilo que elas sentem, gostam, fazem — ou seja: “você é o que você come”.

De tempos para cá, comecei a notar com mais frequência que as ‘representações que devemos ter/emitir de nós mesmos’, não devem estragar o nosso desejo de sermos melhores em algo, de aceitarmos o que se tem, mas também de lutarmos pela realização de algo. Trocando em miúdos: podemos mudar de comportamento, sim, desde que nos faça melhor.

A clássica frase, “fulano(a) tá diferente, tá mudado(a)”, que já escutamos o menos uma vez na vida, seja nas ruas, bares ou escolas, sempre nos fez pensar mais de forma negativa a mudança de comportamento de alguém. Entretanto, o jogo pode virar em determinados momentos e são vários os fatores que influenciam, como a idade, o ambiente em que se vive e o instinto humano. Poeticamente, o vento norte começa a rodear por novas bandas, ou a chuva do sul que chega no sertão. Ou até como Chico Buarque já disse em uma de suas canções: “quem inventou a tristeza, ora, tenha a fineza de desinventar”.

É bom que percebamos que em determinadas fases da vida, não dá mais para fazer coisas sem sentido. É tudo uma questão de pegar ou largar, matar ou morrer, oito ou oitenta. A satisfação pessoal, na ‘construção do eu’ é mais importante que impressionar um terceiro alguém. Aos poucos, aprende-se que o equilíbrio interior/psicológico é de suprema necessidade humana, mas não desprezando nossa própria essência (algo superior, inato ao ser), tudo para sermos seres sociais e coletivos, solidários e atentos.

O foco da argumentação desse textículo não é que percamos nossa essência, mas sim, termos o direito de modificar nossos pensamentos e comportamentos, para nos adequar a determinadas situações. Com naturalidade e atitude, alcançaremos o nirvana mais facilmente. Deitaremos no travesseiro e ficaremos em paz com o mundo, assim como borboletas, livres num jardim.

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*O título é uma paráfrase do livro “Asas, pra que te quero” (2004), de Paulo Caldas, escritor brasileiro.

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