Venha cá, eu te conheço?

Agendar visitas, assinar contratos e conhecer o mundo a partir de um simples clique no mouse no computador. É neste cenário, mais precisamente na cidade de Salvador, que diversas pessoas já puderam dar o ar da graça num dos apartamentos do nono andar, de um edifício situado no Corredor da Vitória, bairro famoso da capital. Elas deixaram registradas na memória do proprietário do imóvel, Edmilson Motta, casos que vão desde o inusitado ao cômico. Desde 1998, ele aluga quartos no apartamento para estudantes. Um colombiano foi uma das primeiras pessoas que chegaram a morar. Portanto, Edmilson e todas essas pessoas que por aqui estiveram, de diversas nacionalidades, realizaram por meio de seus variados costumes e culturas, uma rica troca de experiências e de conhecimentos, que levarão certamente, para o resto de suas vidas.

O ALEMÃO, o compreensivo

Lars fazia a linha putinha”. Disse Edmilson na cozinha numa noite de sexta-feira, enquanto jantava e fazia companhia para dois estudantes. Além de ser loiro, alto e de olhos claros, Lars Frederic era muito atencioso com as pessoas e bastante amigável. Tocava violão e gostava de sair pelas ruas e frequentar um bar no bairro Garcia. Chamava os colegas de faculdade, e lá, comia coxinha e tomava açaí. Dissera uma vez, que era uma das melhores que já havia comido, e que também ficou muito satisfeito com a hospitalidade do povo brasileiro. Em agosto de 2014, teve que voltar à Alemanha, para assim terminar seus estudos no curso de Ciências Humanas.

O ESPANHOL, o festeiro

Edmilson foi buscá-lo de carro próprio. Manuel González estava na Estação Lapa, um dos pontos mais conhecidos e movimentados de Salvador, na espera. Foi quando o proprietário do imóvel chegou, conheceram-se e conversaram um pouco. Durante o período em que conviveram aconteceram algumas desavenças, como: não acumular louça suja e não ficar por mais de quinze minutos tomando banho, para que evitasse a queima do chuveiro. Manuel ficou somente cinco meses no apartamento, porque deveria voltar para seu país, terminar sua graduação em Contabilidade e exercer a profissão por lá. O espanhol tinha um timbre grave e falava alto. Na maioria das vezes, sempre ficava fora de casa, passeando pelas praias e frequentando festas e museus. “Turistar” em Salvador era uma de suas atividades preferidas.

O HOLANDÊS, o estudioso

Zenon foi o holandês da casa. Edmilson foi buscá-lo no aeroporto, numa manhã ensolarada de abril de 2009. Estudante de Medicina na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, ficou no apartamento por dois anos. O gosto pela paisagem da janela da sala, o mar, também contribuiu para que ficasse por muito tempo, além do convívio com os outros integrantes da casa. Edmilson observou algumas vezes que ele tomava muito remédio para dor de cabeça, e que as respostas eram por causa dos intensos estudos.

A RUSSA, a meditadora

Era algo interessante para quem visse os costumes da russa, a Elena Stetsurina. Ela veio da cidade de Kalingrado, e gostava de tomar café olhando o mar. Sentava-se no chão, em frente à janela, e colocava duas velas, uma de cada lado. O objetivo do ritual era a meditação, incluindo a prática do yoga e recebimento de luz enquanto se alimentava. Procurava inspirações através natureza. Não há dúvida se essa aí gostou do litoral baiano. A terra de todos os cantos, encantos e axés serviu para muita coisa.

O COLOMBIANO, o criativo

Diretamente de Barranquilla para Salvador chegou o colombiano Alex Calderón no nono andar. Porta de madeira, dois sofás e algumas plantas. Estatura baixa, branco, e tinha 27 anos. A culinária era o seu diferencial, através dos seus costumes na preparação dos alimentos. Alex cozinhava macarrão e depois jogava alguns fios à parede. Se grudasse, o alimento estaria cozido. Pois bem. Já que cada um tem sua mania, é algo como a cantora de funk, Sheron, disse uma vez: cada um no seu quadrado.

O TURCO, o místico

Alto, quase três metros de altura. Assim o locador o define, exemplificando o momento em que o inquilino precisava se abaixar no chuveiro para banhar-se. Quando arranjou local para morar na capital, ficou apenas cinco meses no apartamento e em Salvador. Por conta de seu trabalho, escolheu o Brasil para sua viagem internacional. Era guia turístico em sua cidade, e veio aprender português na terra do futebol e carnaval. De acordo com seus conhecimentos, achava que todo tipo de mosquito seria um ‘monstro’. Um dia, ligou para Edmilson, num dia de chuva, para falar que tinha um monstro em seu quarto. Decerto que Edmilson tranquilizou-o, riu por um instante, e resolveu o ‘pequeno’ emblema. Percebeu que no mundo há mesmo, coisas muito curiosas.

O ARGENTINO, o comilão

O argentino Joaquin Fufuri chegou à noite, buscado pelo locatário. Ficou cerca de dois anos morando no Corredor da Vitória. Recatado, alto, branco e de cabelos pretos, trabalhava em um dos hospitais da cidade, como técnico de manutenção. Seu gosto mais surpreendente e ao mesmo tempo comum, era por gostar de comer ovo cru. Porém, nada que fizesse mal aos seus órgãos internos, ou causasse alguma azia, muito menos à convivência com as outras pessoas da casa.

O BRASILEIRO, o esportista

Ele veio do Ceará e instalou-se na capital baiana, depois de passar no concurso do Banco do Brasil. Chegou ao apartamento para, além de conhecer as belezas da Bahia, estudar para outro concurso, o da Polícia Federal, onde trabalha atualmente, no Amazonas, segundo Edmilson. Ficou apenas seis meses na capital, no ano de 2013. Lutava caratê e praticava muitos exercícios físicos. É o dever da profissão que lhe chamava para preparação dos embates da vida.

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