Puro sexo. Sexo e amor romântico.

Sexo e amor romântico

Talvez a visão mais comum com relação ao sexo seja de que ele tem um laço forte com o amor romântico, ou que ele seja o amor romântico. Convém antes de fazer uma análise desta ligação colocar algumas características deste tipo de amor. A tríade que compõe o amor romântico é: permanência, exclusividade e intimidade. O amor romântico tende a ser um envolvimento físico-psicológico com o intuito de ser permanente, e ainda que se tenha uma exclusividade, o tipo de relação coloca uma regra para si mesmo de relacionar com determinada pessoa, e não com outras. Esta constância e esta exclusividade, por sua vez, poderia gerar um maior grau de intimidade. Neste caso, no amor, como também em uma verdadeira amizade aristotélica, é necessário um bom tempo, uma construção, um trabalho com os próprios afetos. Aristóteles nos lembra de que não é possível ter muitos amigos em uma vida inteira, o amor seria ainda algo mais raro, e por suas características também se torna impossível que se tenha vários amores durante uma vida. Seria necessário desconfiar daqueles que amam demais. Se o desejo passional estaria a procura da variedade, o amor procuraria a permanência. Diante do amor romântico também haveria uma ética sexual restritiva e uma relação com o casamento e a família. Esta ética sexual envolve-se com a ideia de exclusividade, onde haveria um local possível para uma relação mais profunda. Restringindo o desejo sexual ao casamento, o nó que ata a família torna-se mais forte e se cria um ambiente. Ideia parecida envolve a relação entre sexo como reprodução, que também valoriza o casamento, a relação monogâmica e a atmosfera familiar.

Goldman vê este amor romântico como uma típica análise de meios e fins. Primeiramente salientando que existem outros tipos de amor além do romântico, e o amor poderia ser expresso de diversas outras formas. Outro ponto é que o amor não seria o único sentimento a ser expresso na relação sexual, pode-se expressar tantos outros sentimentos como, por exemplo, ternura, carinho, cuidado, confiança, dependência, dominação, raiva, ódio e até mesmo amor. O desejo sexual agora é desejo atado ao amor romântico. O pensador salienta uma confusão bem comum com relação ao sexo e o amor:

(…) uma clara distinção entre sexo e amor em nossa sociedade ajudaria a evitar desastrosos casamentos que resultam da confusão adolescente dos dois, quando o desejo sexual é confundido por amor permanente, e enfraquecer os danos do ciúmes que surgem nos casamentos em relação a efemeridade do desejo sexual. O amor e a afeição de um casamento é certamente distinto de um amor romântico adolescente, que muitas vezes é um mero substituto para o sexo no contexto de uma ética sexual repressiva. (Soble, 2008, p. 61. Tradução nossa)[1]

No lugar desta relação confusa entre sexo e amor que, às vezes, torna o nó que os liga fraco, poderíamos ter uma relação menos profunda, contudo mais clara — sem a pressão de ligar o sexo a uma atmosfera essencialmente romântica. O que parece interligar ambos (sexo-amor) é a questão da intimidade que envolve tanto o sexo como o amor. Goldman não nega que o sexo relacionado ao amor possa ganhar um valor maior, mas esta relação também gera a sua ética e os seus tabus.

[1](…)a clear distinction between sex and love in society would help avoid disastrous marriages which result from adolescent confusion of the two when sexual desire is mistaken for permanent love, and would weaken damaging jealousies which arise in marriages in relation to passing sexual desire. The love and affection of a sound marriage certainly differ from the adolescent romantic variety, which is often a mere substitute for sex in the context of a repressive sexual ethic.

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