A LEITURA DA IMAGEM: Uma Breve Análise Sobre Formas, Estética e Violência

Mulher Chorando, 1937

Um velho provérbio chinês já dizia sobre a fotografia: “Uma imagem fala mais do que mil palavras”. Sabe-se que em sua significância, a fotografia é uma representação da realidade, e para além disso, a mesma reflete uma imensurável sentido para a sociedade e sua conjuntura. A fotografia representa mais que um registro também quando relacionada a um fato histórico. Mas, mesmo diante da importância da imagem, a realidade é que a cultura visual do nosso país, em sua maioria, não compreende que a fotografia importa mais do que milhões de palavras.

A maior parte da sociedade, infelizmente é analfabeta fotográfica, tantas vezes presenciamos a imagem ser tratada de forma banal e fútil. É visível ver por diversos meios sendo perpassada de maneira estereotipada, deturpada e violenta. Como na análise do escritor argentino Alberto Manguel (2001), através do seu livro “Lendo Imagens”, ele caminhou por algumas obras de Pablo Picasso buscando entender como a violência ou dor pode ser representada numa imagem. Picasso passou por diversas fases e por várias mulheres, seus quadros quebrados ou suaves que manifestavam sua vida pessoal e suas relações afetivas, seu trabalho expressava a translúcida relação entre sua obra e vida pessoal do pintor.

Segundo suas amantes, as quais Pablo Picasso mantinha relações, e seus amigos, ele era incapaz de alimentar sentimentos por alguém, para ele o que importava era o seu trabalho, isto sim, lhe satisfazia. As mulheres as quais ele manteve relações sofreram pela dureza, frieza e brutalidade, por sua aptidão ao retratar de forma violenta suas faces e trajes. Um trágico fato aconteceu com sua ex-amante, a Dora Maar, que foi um esboço de um estrupo, esboço o qual a representava, no livro de Alberto Manguel, ele explica esta história aplicada na obra Mulher Chorando. Manguel, cita também nessa mesma obra a tão repercutida obra Guernica (1937) pintada por Picasso que representa o grande bombardeio sofrido pela cidade na Espanha a qual dá nome à pintura. Na pintura, há uma mulher chorando ao segurar o filho morto, o que indica ser um dos pontos que mais se destaca na obra.

Guernica, 1937

Compreende-se então aqui, duas análises de uma representação imagética, o quanto uma imagem pode perpassar para o apreciador. E para além disso, o fotógrafo e professor Celso Guimarães, que esteve presente recentemente na Universidade do Vale do São Francisco (Univasf), onde ministrou uma palestra onde explicou que também estuda o método de análise de uma imagem através da Teoria Gestalt, que fundamenta-se em um processo de dar forma, dar configuração, "o que é colocado diante dos olhos, exposto ao olhar".

É o estudo da percepção, como o cérebro organiza o que vemos, objetos, cenários e busca organizar isso de forma racional. Gestalt é um método realista na forma de se observar e fazer uma fotografia, como na questão de preocupação de compor ela ao fotografar. São caracteres profundamente associados à estética, que visam tornar harmônica a imagem e prender a atenção de quem a aprecia. O que pesa neste método é o tecnicismo.

Eis a questão, até que ponto a estética influencia na insensibilidade? São casos como o artista Pablo Picasso e muitos outros que nos fazem pensar e refletir, casos que mostram a preocupação dessas pessoas em expor a técnica deixando de lado a questão de humanismo. Importante ressaltar que trazendo para o nosso campo jornalístico existem muitas realidades em “jornalismos” que constroem. É por conta da existência da teoria do Gestalt e automaticamente a separação entre tecnicismo e humanismo que a sociedade no todo se torna insensível e resulta em distorções de realidade. É necessário, urgentemente se atentarmos e deixar ser aberta a nossa visão e mente para a imagem que criamos e para além disso, divulgamos, porque é grande a força que ela possui e perpassa.

Referências Bibliográficas:

MANGUEL, Alberto (2000). Lendo imagens: uma história de amor e ódio. Tradução de Rubens Figueiredo, Rosaura Eichemberg, Cláudia Strauch. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

RECANTO DAS LETRAS. Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/1655142. Acessado em: 04 de Setembro de 2017.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Ramila Lorrane’s story.