Por que esta vontade de parar de ajudar os outros?

Eu e você, temos essa permissão?

Ramon BrazNomar
Já deu, galera. (fonte)

Como tantos, ajudei várias pessoas sem nem acreditar que era ajuda, e sim “obrigação”. Família, amigos, empregados, necessitados, não importa.

Por que me veio a vontade de me distanciar disso? Sair dos grupos, buscar coisas exclusivamente para mim (“egoísmo”), até parar de trabalhar? Por que eu me meti nisso tudo?

Está caindo a ficha devagar. É porque eu estou insatisfeito com minha própria vida e quero ser cuidado primeiro. E ninguém melhor do que eu mesmo pra saber do que cuidar em mim.

Nada mais claro do que isso para me fazer enxergar o “primeiro eu, depois os outros”. Não é misturado (ainda). PRIMEIRO EU, depois EU E OS OUTROS. Juntos, com os focos corretos — meu foco em mim, foco do outro nele/a mesmo.

E mais: cuidado comigo não é só atender às minhas urgências (aquelas que já estão pipocando). É fazer algo a mais para mim. Fazer projetos por mim, planejar para mim, notar o que eu realmente quero — não o que alguém próximo de mim, ou do meu passado, quer ou quis.

Notar o que quero tem sido a busca dos últimos anos. Estava tão cego com o que deveria fazer todos os dias que olhava — e às vezes olho — para mim mesmo com as usuais lentes de quem busca agradar para, depois, ser atendido. Daquele jeito, realmente, nunca notaria. (Ter mais contato com o corpo foi um dos grandes marcos pra mudar a visão de vida.)

Ter a clareza que agi por tanto tempo querendo agradar… é difícil de se admitir. Certeza que vou ficar um tempo pensando se aperto o botão de “Publicar”.

Mas lembro das dores de dois meses atrás, em que vi que eu não vou ser quem eu deveria ser. Eu não vou ser. É impossível. ESQUECE.

Naquele momento, veio uma decepção profunda, trouxe choro, um grande pesar… e, de repente, o alívio. Porque percebi que botei aquilo pra fora e não “morri”. E que fui muito mais autêntico e verdadeiro sobre o que sinto do que jamais havia sido.

Lembro que, logo depois de sentir aquela barra, ficou fácil entender porque, certamente, MUITAS pessoas também tem uma dor profunda e nem sabem. Ou não conseguem admitir ainda. Podem inclusive já ter um monte de conhecimentos úteis de si, mas ainda não deu o tempo de sentir de verdade. (Era meu caso.)

Por que, então, me irritar com quem ainda não mergulhou em sua dor? Como posso exigir que alguém já esteja pronto?

A caminhada é de cada um. E, agora, realmente entendo melhor, na pele: a minha caminhada é apenas minha.

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Ramon BrazNomar — https://medium.com/@ramonbraznomar

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