à noite
guarda em silêncio
um nome 
no canto da boca
um canto na boca
cruel
saliva meu nome
sem dó
quase escarra
rasgando 
concreto
borra
na água que corre
na pia
granulado
feito pedra
em sonho
refletindo maldizeres
sem abrir os olhos
ou rasgar no dente
o caminho pro peito
que não já não pulsa
e já não pula ao ver
chegança 
nos braços que tenho
teimoso 
chegando perto 
fechando o olho
pra não me ver
na distância
dos olhos pra cara
da cara pros braços
dos braços aos braços
catando vento 
no silêncio que sobra
no silêncio que sobra
a ausência que surge
quando piso em casa
e ausência inflando
destruindo telhado 
me assovia
um recado que
os carros desgraçam
fazendo anagrama
confundindo a cabeça
escrevendo poema
sem seu cheiro 
guardado 
me precipitando
janela de casa
uma folha discreta
me acena dizendo
que pena
uma cantiga
saúda a existência
e ausência dela
dedilhando baden
já é terça-feira