a breve alucinação
ecoando por
meu corpo febril
refrata no travesseiro
sobressalente
embaixo dos lençóis
eu rastejo
por texturas e sons e
criaturas deformadas
o calor que meu corpo emana
suga tudo
suga todo o universo
distópico
equivalente ao meu quarto
mareado pela umidade
desgraçada
de minha casa inteira
rastejo e tropeço
na barra do moletom
caio de cara,
caído, dou de cara
com um par de pernas
as pernas são suas
escalo seus joelhos,
coxas, pêlos, umbigo
peitos, clavículas, queixo
mordo sua boca
pra não escorregar
beijo a sua boca,
pra não me matar
em agonia
apoio meu queixo
em sua testa,
como antigamente
escorrego, caio
um mar
me debato
tateando tudo
em busca de seu calor
complementar
o mar é meu suor
meu corpo febril
lateja
e na reverberação de tudo,
você não está lá