eu 
me pego pensando
por qual razão
sempre que 
me pego pensando
há uma névoa
minha alma 
se torna névoa
vazando leve
eu tapo a boca 
e as narinas
mas ela vaza
me castigando
por não me permitir
estar presente
por presente,
quero dizer vivo,
pleno, 
feliz
sempre que percebo
uma faísca que seja
de alegria plena
um ruído estala
fazendo cama
buscando penitência
temendo o fim
da calmaria
sem conseguir
se manter calmo
por um minuto que seja
sem entender bem
por que as coisas
não podem estar
simplesmente bem
ou por que
não me permito
tudo oprime 
em determinada escala
ao ponto de 
cada
passo
se entortar
andando sempre
nas pontas dos dedos
um dançarino sem música,