eu não pressinto
nem meu pesadelo
quando cê rouca
me diz

que eu não falo
mas sei dizer
essa língua,
só me diz que

“tão pouco tempo”
eu sem querer
disfarçando
o que cê faz comigo

o meu tempo,
meu punho 
guardado rasgando
e eu nem

fico esperto
é que tão perto
eu sei,
emocionado eu fico cego
só rememorando
vou incendiar

e eu falo sério,
cê fala sério?
e o espaço que divide
minhas mãos 
e suas pernas
vai me matar

os dias nascem
e eu sem saber
dormir
eu nunca soube muito bem
no fim eu só sei 
mesmo começar

e assim aceito
o meu remédio
aqui, agoniado
sem tá perto
eu sei, 
que logo mais cê vai chegar

e aí?

tempestade arranca
meu silêncio é 
mar teu silêncio é 
não sei 
quanto é vento

um suspiro solar
o que invento sem ter
o que intento sem ver
nos meus dedos

sem dobrar, sem dobrar
me diz: o que mais cê queria ser?
vem me dizer, vem me dizer
bem devagar

que eu não sou, eu não sou nada
sem ser e ter o que antecipar
o que dizer, vem me dizer
que eu bem quero ouvir