por que
as coisas não
podiam ser
mais simples
só um pouco
mais leves
aí,
quem sabe,
entenderia
a razão por que
certas coisas
me fazem desviar
do eixo
equilibrismo e
corda bamba
ondulando
só de sacanagem
quase toda onda
é breve
mas acerta,
derruba
e se afasta,
virando o mundo
mudando
os sombreiros
de verde pra laranja
revivendo meus quatro anos
barraca cafona,
cheiro e gosto de sal
shortinho azul
microfone
meu endereço
o meu nome completo
a expressão desesperada
e o olhar de minha mãe
e o questionamento
sempre o questionamento
eu falo sério,
sempre
desde que eu me
reconheci
e a ultima vez
que me tive por
eu mesmo
por que
as noites
se arrastam
ou por que
eu custo tanto
tanto,
a conseguir
uma brecha
infinitesimal
que me faça
descansar
de verdade
o corpo se cansa
na letargia dos dias
não ação é
não vida
desgasta a cabeça
e minhas costas doem
eu reviro, revivo,
reviro
não tem ninguém
nem olívia
nem ela
nem eu
nem ninguém
só objetos acumulados
empoeirando junto comigo
o ruído granulado
da madrugada
e os bêbados
ziguezagueando
na travessa,
mais dia menos dia
e outro dia já chega
enquanto esse escapou
talvez me suba à cabeça
mercúrio líquido,