sento e observo

ultimamente a vida
retomou o posto de observação
e, de cá,
eu vejo com
meus olhos fechados 
no pelo que arrepia
no corpo que vibra
com os pés no chão
gelado
que a brisa leve
atravessa a rua
parece esquivar de mim
pega o caminho contrário
ou qualquer outro
um retrato perfeito de tudo
do que as pessoas se tornaram
daquilo que sempre foram
de quem sou eu, também
o filtro laranja se repete
no sol que abraça a tarde
nas nuvens que iluminam a noite
nos micro cristais na espuma nas ranhuras do copo plástico 
há um glitch azul
profundo
que não é o que eu penso
mas também é a minha alma
e o que eu ainda sinto
eu sei 
que eu sempre sentirei
não há nada a ser feito
nem desfeito, também
há um frio em essência
na textura nebulosa 
das últimas coisas que tenho feito
que não é o que me dizem
mas também é como me sinto
e eu só sinto, sinto
sinto, sinto, sinto
eu realmente sinto muito,