É assim que tu olha pra mim, parece. Primeiro olha pro chão, perdida pensando. Depois olha por cima, ainda pensando. Como se usasse óculos de vovó daqueles pequenos, que às vezes parecem ser de uma escritora muito boa. Boa e famosa. Eles ficam pendurados pelo nariz, quase na ponta. E aí a escritora (ou a vovó) tenta olhar por fora dele. É assim que tu olha. É assim que tu olha pra mim toda vez que fala ‘mas não muito’. São muitas vezes. Nunca tinha reparado como olhavam pra mim. Sabe quando todas as pessoas do mundo são iguais? Pois é. Assim eram os olhos até então. Até o dia em que me vi olhando o olhar da escritora (ou vovó) me olhando. É uma conspiração, eu acho. Um atravessando o outro por acidente do acaso. E se encontrando, parece.

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