AS PESSOAS ESTÃO MACHUCADAS DEMAIS | RANI LISBOA

Ao que parece, uma boa parte das pessoas estão machucadas. Ainda estão com um pezinho no relacionamento que feneceu. Estão perdidas, embriagadas, fingido felicidade no status do Instagram.

Ao que tudo indica, há um vazio corrosivo no peito de quem faz pose para foto ao lado de alguém que acabou de conhecer e — provavelmente, no dia seguinte — será jogado no grupo dos contatos congelados do WhatsApp.

Está tudo muito bem camuflado (momentaneamente) num sorriso escancarado, provocada pela perda parcial da consciência. O problema dessa encenação é que o teto para de girar quando as luzes da balada se apagaram, a sobriedade volta acompanhada da ressaca física e moral. Aí, meus amigos, a coisa complica um pouco mais.

Engov não cura coração quebrado, não equilibra emocional, não diz baixinho, enquanto te faz um cafuné, que tudo bem sofrer, tudo bem chorar escondido ou no colo dos que te querem bem. Ele não te olha com cuidado, tampouco pede pra você ir com calma porque a euforia do “Eu tô solteira(o) outra vez” passa mais rápido que o trem que você acabou de perder. Sal de frutas não te alerta sobre a gravidade dos teus estilhaços ferir alguém, porque eles ferem.

O rompimento não é coisa para principiante, exige maturidade e empatia para enxergar a si mesmo na íris do outro, ele também é carne, osso e sentimentos pulsando nas veias. Não é descartável, nem é culpado pelo que você carrega no lado esquerdo. Limpe os pés ao entrar.

A dor pode te tornar irresponsável, mas também pode te fazer sujeito nobre. Por conhecimento de causa, por saber a intensidade de ser machucado, você não machuca. Você não fere com o ferro que te feriu, porque sabe o que é carregar cicatrizes doutrora, você não quer que o outro sinta o que você sentiu. É assim que a gente se cura

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