Espelho, espelho meu

A divergência que a vilã da Branca de Neve ouviu ao questionar o espelho foi ruim para ela por um simples motivo: realidade. Ela queria ouvir algo, que não foi bem o que aconteceu. Ora, certamente não era a primeira vez que a bruxa olhava o espelho, ela sabia o que ia ver. O que teria causado tanto espanto?
Existem pouquíssimas coisas tão sinceras conosco quanto um espelho padrão. Olhando para aquela superfície, você consegue ver quem realmente é. Aquela espinha na testa, os quilos a mais ou a menos, um corte de cabelo desigual, um piercing mal colocado fazem parte do que você é.
Se você usa óculos, entende bem o problema de viver sem ele. O espanto da bruxa que eu comentei eram os óculos que ela estava usando, o ego. Se você é míope, amigo(a) leitor(a), pode um dia ter se aventurado em tentar ler uma placa ou o letreiro do ônibus sem óculos e falhou. Com os óculos do ego, o problema é o oposto, ruim é usar.
Idealizar algo que você não é se torna tão arriscado quanto atravessar dois prédios em uma “corda-bamba” sem equipamentos de segurança ou uma rede que lhe proteja do solo. O mínimo vento de realidade destrói você é e quem um dia imaginou ser.
Todos sofríamos alguma vez, sofremos ou estamos vulneráveis a sofrer com os efeitos dos óculos do ego em momentos da vida. É triste quando a ficha cai, mas temos sorte quando não caímos junto.
A realidade pode ser chocante. Ver o homem ou a mulher que está além do que você imagina pode ser difícil e doloroso, mas é o melhor caminho para saber que a vida está longe de ser um jardim e está mais para campo minado.
