O machismo nosso de cada dia

Raphael Albino
Sep 8, 2018 · 3 min read

Tenho observado nas interações do dia a dia que existem pequenas expressões ou atitudes que demonstram o quão machista é nossa sociedade. Por vezes não é por mal, mas somos tomados pelo modelo mental que nos foi ensinado e que gerou a forma como enxergamos nossa realidade.

Costumo dizer que somos seres limitados que possuem a opção de ampliar sua percepção de mundo. Em um sentido figurativo é como se tivéssemos a oportunidade de captar ao longo de nosso caminhar pequenos fragmentos do espelho da sabedoria que nos permitem aumentar a visão do eu e do ambiente onde habitamos.

Dia desses me deparei com a seguinte frase: por trás de um grande homem existe uma grande mulher. Se analisarmos friamente tal “ditado”, perceberemos que a mulher é colocada em uma posição de apoio ou retaguarda daquele que é o protagonista: o homem.

A afirmação é tão descabida quando olhamos para uma realidade onde temos mulheres extraordinárias liderando empresas, equipes, comunidades e importantes iniciativas para termos um mundo melhor. Da próxima vez que você quiser elogiar uma mulher diga para ela o quanto você a admira pelo que ela é. Simples assim!

Outra dose de machismo que venho reparando em minha rotina acontece quando vou até um restaurante com a minha esposa e ao receber a conta a mesma é direcionada para mim (homem). A primeira pergunta que me vem na cabeça é: quem tem o poder (neste caso o dinheiro) é sempre o homem ou essa é mais uma preconcepção da nossa sociedade?

Geralmente, quem paga as contas quando saímos é minha esposa pelo fato de dividirmos as despesas de casa de forma justa. Será que as pessoas pensam que eu sou menos “homem” por isso? Se a resposta for sim, que pena! Sou feliz demais por ter uma relação onde duas pessoas podem, independente do gênero, decidir a melhor forma de quitar uma conta.

Como gosto muito de praticar esportes, volta e meia tenho a oportunidade de desenvolver atividades que mesclam homens e mulheres. Infelizmente, escuto com certa frequência comentários como: “futebol não é coisa de mulher”; “esse tipo de esporte tem que ser macho demais para praticar e mulher não tem a pegada para isso”; “a mulher não tem a mesma habilidade do homem para jogar basquete”; etc.

O mais curioso é que existem mulheres formidáveis que acreditam nesse tipo de discurso. Minha opinião sobre esse tipo de julgamento é: nunca desestimule uma mulher a praticar esporte, pois ela tem capacidade e competência de fazer o que quiser.

Não é de hoje que escuto comentários em rodas de homens dizendo que uma mulher é “vagabunda” pelo simples fato da pessoa gostar de se divertir. A sociedade deveria admirar uma mulher que gosta de beijar, abraçar ou transar com outras pessoas, afinal de contas, ela se demonstra livre das amarras impostas por uma realidade que a enxerga como um ser pecaminoso e que não tem o direito de se satisfazer. Para quem ainda acredita nisso sinto dizer, mas as mulheres estão se tornando cada vez mais donas de si.

A mais recente cápsula de machismo que engoli foi de um motorista que agoniado por estar dirigindo atrás de uma pessoa que a priori estava indecisa, deferiu a seguinte sentença: “ou é mulher ou está perdido”. Minha primeira reação foi de incredulidade. Um bichinho na minha cabeça ficava me lembrando que em pleno século 21 as pessoas ainda julgam que as mulheres são incapazes de serem boas motoristas.

Passado um tempo de reflexão, me perguntei: quantas motoristas de ônibus, metrô, táxi ou Uber eu vi nas últimas semanas? A resposta foi: poucas. Foi aí que percebi que não vivemos em uma sociedade onde temos tantas mulheres conduzindo o trânsito e aquele comentário vindo de uma pessoa machista, soava como uma brincadeira de mau gosto para alguém que não acredita em um sexo mais evoluído do que o outro.

A intenção com esse texto é deixar mais um caco de sabedoria para que possamos evoluir e desenvolver uma sociedade mais justa. Para algumas mulheres dói demais conviver com tais comentários machistas que mesmo sem terem um tom de ferir só prejudicam e reforçam a desigual realidade que vivemos.

E vocês mulheres, qual é o machismo que vocês encaram em cada dia? Deixem suas contribuições nos comentários abaixo e nos ajudem a nos tornarmos melhores.

Vejo vocês no próximo texto o/

Raphael Albino

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Brazilian. Agilist. A sport passionate. A person who believed that agility is something that rise in the heart of people.