Os Mamonas Assassinas seriam um sucesso ainda hoje?

Ontem assisti um trecho do documentário “Mamonas Para Sempre” e me lembrei de algo que comentava com um amigo há tempos atrás. Os caras eram bom demais, mas teriam bagagem para manter o topo?

Na época que os Mamonas surgiram, a gente gostava pela zoeira, pela novidade e pelo fenômeno que foram. Mudou a cara do rock nacional, que naquele tempo andava bem mais obscuro e se reerguendo da melancólica década de 80, onde a música era mais séria e ainda com vestígios dos rocks de protesto, enfim…

Mas o que chamava atenção nos Mamonas, que se popularizaram e entraram numa onda insana de aparições, não era apenas o jeito escrachado da banda que conquistou principalmente crianças (que não sabiam o que era uma suruba, mas repetiam a palavra todos os dias, para desespero dos pais.) e jovens como eu e você, possivelmente.

Um ponto que só conseguimos perceber depois de mais velhos e excluindo a sensação de nostalgia, era de como os Mamonas eram uma PUTA BANDA musicalmente. A banda inteira era formada por músicos muito bons e ouvindo atentamente alguns dos hits, você percebe que havia ali uma qualidade incrível por trás da zoeira. Em especial, em Débil Metal, que é um Metal muito melhor do que muita banda do gênero faz levando a sério. Bento, o Guitarrista; Sérgio, o baterista e Samuel, o Baixista eram músicos incríveis, com técnica e ideias ótimas para reproduzir no que eles se propunham.

De acordo com o documentário e o produtor Rick Bonadio (O creuzabeque), apenas Julio não era lá um grande tecladista, era apenas bom, mas era uma peça essencial para o equilíbrio da banda como um todo na estafante rotina de shows e divulgação que tinham entre 1995 e 1996.

Um dos depoimentos de Bonadio no documentário justificou com exatidão o que aconteceria com os Mamonas num possível segundo disco. Algumas músicas como “O Joelho” e “Onon Onon”, chegaram a vazar e a qualidade era bem aquém do que foi o primeiro disco, com a segunda sendo o mais próximo do que eles costumeiramente fizeram no primeiro álbum.

Se seria um fracasso, é difícil saber, mas segundo Rick, quando o acidente aconteceu, eles estavam entrando na reta final da superexposição e agenda de shows para se dedicarem a compor coisas de qualidade, já que o público exigiria muito do que vinha pela frente. Diz o produtor que os caras fizeram sucesso por serem simples, mas com o crescimento da banda e o estrelismo iminente que os caras conquistaram (mas não da maneira pejorativa) fez com que os integrantes passassem a conhecer novas realidades em sua vida, Dinho, por exemplo, que andava de fusca e Brasília, passou a andar em carro importado do último tipo. E assim, fugia um pouco do que era o seu personagem que dava a essência das letras divertidas e populares, por essa razão, eles iriam se dar esse tempo longe da mídia para se trancarem nos estúdios e resgatarem a velha forma de criar e se manterem no topo.

Infelizmente não deu tempo. Fica a eterna dúvida se os caras manteriam a carreira da forma que tinham durante aquele período. Eu penso que seria natural uma queda no segundo disco, até porque, é muito difícil repetir o mesmo e estrondoso sucesso que foram. Possivelmente iriam aparecer um pouco menos como banda nos programas de domingo, e mais individualmente como personagens engraçados, até cansarem um pouco o público dos citados programas e voltariam a ficar mais focados nas rádios e em programas voltados para o público jovem — as crianças que estariam entrando na pré-adolescência e posteriormente na adolescência e poderiam começar a achar tudo aquilo uma imbecilidade, típico do jovem que cresce e acha que sabe bastante sobre o Mundo e desvaloriza aquilo que considerava bom quando pequeno, até perceber que nostalgia é algo delicioso.

Acho que ficariam nesta baixa entre 1997 até o final da década de 1990 e início dos anos 2000. Correndo o risco de estarem mais ou menos na mesma que se encontra o Raimundos hoje em dia. Ainda em atividade, mas movendo apenas os fãs mais fiéis e vivendo do que já foram um dia. Continuam fazendo coisas boas, mas não tanto quanto durante o seu auge e formação original. Imagino que assim como foi o “É o Tchan”, entrariam numa fase de fazer funk e outras tendências da moda. Eram dinâmicos o bastante para arriscar e vendáveis demais para não ousarem. Gravadoras lutariam para colocá-los onde o dinheiro estivesse entrando.

Possivelmente os Mamonas estariam a pleno vapor atualmente, usando e abusando da internet para criar tendência e inspirarem outras bandas a fazerem o mesmo. Além de estarem envelhecendo junto com seu público.

A geração que eles influenciaram para ser “o novo Mamonas” fracassou por falta de timing. Todo mundo esperava que surgisse alguém que substituísse os cinco rapazes de Guarulhos, mas o que surgiu era decepcionante. Talvez nos anos 2010 os aspirantes a posição teriam mais sucesso.

Mas certamente, Dinho seria amigo de celebridades globais, alvo frequente de fofocas envolvendo sua vida pessoal e eu não descartaria algumas mudanças de formação do grupo por ciúme ou excesso de ego, com integrantes criando projetos paralelos e sem sucesso.

Tudo isso são apenas hipóteses. Difícil saber o que teria acontecendo se aquela noite de sábado de 1996 não tivesse sido fatal.

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