Bel Pesce e o empreendedorismo de palco: porque a Menina do Vale não vale tanto assim
Izzy Nobre
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Meu conterrâneo Izzy,

Vou começar dizendo que concordo que o vídeo da Isabel é realmente uma bola fora. Porém, escravo do método científico também tive que colocar a história à prova e fiz um peer review da sua pesquisa.

Um dos links que você postou sobre o fato dela ser drop-out:

"Studying at MIT also turned out to be a great footstep into Silicon Valley for Isabel, albeit somewhat accidentally. After her MIT bachelor’s, she opted for a professional master’s degree that the institution runs in partnership with private companies."

Ela largou o mestrado, porém concluiu a graduação sim. Existem até um página dela no archive no MIT citando a turma dela: 2010'

https://alum.mit.edu/news/AlumniProfiles/Archive

https://alum.mit.edu/news-views/alumni-profiles/alumni-profiles-archive/mattos

Outra coisa, é sobre o papel do intern nas empresas aqui no Vale do Silício. Eu sou desenvolvedor aqui há 3 anos e já trabalho pela empresa há 7 anos e já entrevistei algumas centenas de pessoas entre gerentes, outros engenheiros e interns. Primeiramente, as vagas de interns em empresas de tecnologia sérias são remuneradas e muito bem. Até pq vc trabalhando como F-1 com OPT praticamente não paga imposto (comparando a um empregado full-time). Uma coisa que você falou corretamente é que realmente o trabalho realizado por interns não está no caminho crítico do que está sendo desenvolvido pela equipe, porém o intuito do internship é conhecer o intern, apresentar a empresa, o time, o ambiente, a tecnologia que desenvolvemos e também desafiá-lo com problemas interessantes durante os 4 meses que ele estagia lá. Então não é somente read-only. Há outputs gerados e existe uma expectativa em torno deles. Até por isso eles são pagos para isso. Veja o internship como uma segunda etapa da entrevista, mas bem comprida. Onde você vai observar vários aspectos do cidadão(ã).

Eu sempre achei curioso a Bel não ter recebido nenhuma proposta da Microsoft ou Google (o mais normal), onde estagiou. Porém, pode ser por causa do Lemon. Porém, não pesquisei isso.

Pra você ter uma idéia. Recém formados em Computação em Stanford, aqui no vale, estavam recebendo propostas de 135 mil dólares por ano + US$ 400K em ações pra dar vest em 4 anos. Isso o Snapchat estava oferecendo em 2015. Imagine aí, um recém graduado com XP=0.00

Eu acho que no meio dessa tentativa dela de correr atrás ela caiu num hype vindo do Brasil. Ao invés de ficar aqui e investir na carreira decidiu partir pro Brasil com os vários "empresários" que estavam de carona no hype. Por fim acabou acreditando naquilo tudo e perdeu a noção do ridículo e realidade. Quando vc perde tal noção, pra dar merda é daqui pra ali. E como #tododiatemumamerda, o dia dela chegou.

Tomara que aconteça algum aprendizado para ela nessa história.

Brasileiro adora um Sassá Mutema. Ainda mais se ele morrer no final.

Particularmente acho que ela trouxe um bom exemplo e fazia um trabalho legal até virar muito trending topic. Mas motivou uma galera da geração dela e posterior. Isso foi uma contribuição interessante. Espero que o prognóstico não seja tão ruim assim.

PS: Há outros pontos que você tocou, mas acho que já escrevi demais.

Gostaria de parabenizar pelo canal e por todo o trabalho realizado nos últimos anos. Vejo muitos vídeos teus, mas sou muito preguiçoso pra comentar. Talvez seja um início.

Abraço,

Raphael

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